Paulo Aparecido Silva Cayres, o Paulão, assumiu a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, com mandato até 2014

Com a missão de dar continuidade às conquistas dos trabalhadores metalúrgicos da base da CUT, Paulo Aparecido Silva Cayres, o Paulão, assumiu a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, com mandato até 2014. Foi escolhido por chapa única. Antes de assumir a presidência da entidade, que conta com 1 milhão de trabalhadores, ocupou a coordenadoria-geral de comissão de fábrica da Ford, em São Bernardo. O deputado estadual Carlos Grana deixou a função depois de oito anos.

A principal preocupação do sindicalista é quanto ao quadro atual da indústria. Com o real valorizado sobre o dólar, há importação elevada de produtos estrangeiros, sobretudo peças da Ásia. “Quando houver equilíbrio e US$ 1 custar R$ 2,50, teremos musculatura para competir. Hoje existe confronto com itens chineses, que não oferecem direitos aos seus trabalhadores, e de direito não abrimos mão.”

Apesar de elogiar a medida federal de criar barreiras aos importados, considerou como “tímidos” os esforços. Também afirmou que o tom da relação da confederação com a Presidência será de defender a pauta dos trabalhadores. Na agenda, estão velhos conhecidos dos metalúrgicos, que até hoje não viraram realidade. A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é um deles.

 

 

DEMISSÕES

Paulão demonstrou preocupação com o setor de autopeças, com alta nos índices de demissão. Tudo em razão da briga com os chineses. Para contornar o problema, disse que haverá a realização de seminário conjunto com Fiesp e outras entidades, marcado para a semana que vem. O mote é discutir alternativas para o problema que ameaça a indústria. “O setor de autopeças demite antes de ser atingida pelos problemas. É um equívoco.”

Sobre o fantasma da inflação que preocupa o mercado, Paulão afirmou que ela “às vezes é necessária”, defendendo alta na produção, a fim de abastecer as lojas, como solução para atender à nova classe média, disposta a consumir.

 

HERANÇA – O chefe da CNM elogiou Grana pela gestão passada, ao intensificar engajamento na organização dos trabalhadores nas empresas. Fato que permitiu fiscalizá-las melhor.

Ele manifestou ainda o desejo de retomar projetos de qualificação. “Os postos de emprego até existem, mas não há oferta de qualificação necessárias”, disse, ao alfinetar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e elogiar a retormada do tema na gestão de Lula

Fonte: Diário do Grande ABC