Os trabalhadores da base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes foram às ruas, na manhã de ontem, protestar

Os trabalhadores da base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes foram às ruas, na manhã de ontem, protestar. A classe trabalhadora se reuniu no km 12,5 da Anchieta e em uma importante avenida em Mogi. O ato tem objetivo de cobrar a reposição das perdas provocadas pela inflação. Segundo o presidente do sindicato, Miguel Torres, o trabalhador perdeu seu poder de compra. “A inflação oficial está em 6,49%, a meta do governo é 4,5%, e o ideal seria 3%. Toda vez que a inflação atingir esse patamar vamos cobrar o repasse para os salários.”

No entanto, tal medida precisa ser analisada com cautela pelos trabalhadores, pelo empresariado e pelo governo, destacam especialistas. Para o economista e professor da FSA (Centro Universitário Fundação Santo André) Volney Gouveia, a reposição da inflação pode acarretar índices ainda maiores. “Ressuscitar esses gatilhos salariais pode ser prejudicial para a economia brasileira e para o próprio trabalhador. É como um ciclo vicioso: a inflação aumenta, reajustam os salários e, por elevar o poder de compra, a inflação sobe novamente.”

Para o docente, o mecanismo impactaria nas planilhas de custos das empresas, que por sua vez, repassariam esses custos extras, para seus produtos, o que acarretaria um surto de preços. “É um risco que se corre.” No entanto, Gouveia elogia a mobilização do ponto de vista político. “É muito positivo que os setores da economia tenham seus trabalhadores unidos, fortalecidos e que lutam pelo o que acreditam. As categorias que não possuem essa mobilização perdem muito com isso.”

O economista frisa que não é contra a reposição, mas defende que é uma medida que precisa ser muito bem analisada. “Não podemos despertar os fantasmas de décadas atrás. O País ainda não se recuperou das ondas inflacionárias. Nos últimos anos, a média ficou entre 4% e 5% ao ano. Isso mostra sinal de certa rigidez.”

PRÓXIMOS PASSOS – Torres conta que no dia 25 será feita assembleia-geral, às 9h, na rua do sindicato (Galvão Bueno, 782, Liberdade). “Neste dia vamos formalizar a pauta de reivindicações, com os índices, e colocá-la em aprovação. Só então iremos encaminhar para a entidade patronal.” O dirigente adianta que vai aguardar as negociações com as empresas. No entanto, se as companhias recusarem o debate sobre o assunto, a categoria não descarta a hipótese de paralisar as atividades fabris. A base do sindicato é formada por 250 mil trabalhadores, divididos entre 12 mil empresas.

Fonte: Diário do Grande ABC (SP)