Protesto dos metalúrgicos de Angra dos Reis tomou conta do Centro da cidade

Protesto dos metalúrgicos de Angra dos Reis hoje tomou conta do Centro da cidade. Depois de os operários terem o transporte cortado e a entrada bloqueada eles fizeram uma caminhada pacífica do Brasfels até a Praça Nilo Peçanha, em frente à prefeitura. A manifestação reuniu cerca de três mil pessoas, que permaneceram reunidas para pedir solução da paralisação às autoridades angrenses.  Os vereadores abriram o Legislativo e receberam os operários. Os parlamentares informaram que apoiam a paralisação e discursaram sobre a greve que já está em seu 16º dia.

Todos os vereadores presentes falaram sobre a luta que os trabalhadores estão passando e ressaltaram que a união da classe deste momento tão difícil é fundamental. “Não podemos trabalhar aceitando um regime arbitrário. A empresa precisa oferecer contrapartida para a cidade em prol da sociedade. Na saúde, na educação e em vários outros pontos. O estaleiro tem que ser parceira de Angra dos Reis,” falou o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Eduardo Mascote(PMDB).

O metalúrgico e sindicalista Rogério Moreira, o Rogerinho, que está na defesa dos trabalhadores, diz que eles não concordam com o que foi assinado pelo presidente do Sindicato, Aguilar Ribeiro.

“Um acordo parcialmente nulo, podemos dizer, pois foi sem a autorização e aprovação dos trabalhadores. Na assembleia do dia 2 de maio foi definido com a empresa o aumento de 9,3%, o valor de R$ 1500 de abono, R$ 250 de tíquete e a equiparação dos salários dos soldadores. Isso foi aprovado no dia 2 de maio e no dia 27 de maio estaríamos retornando para a mesa de negociação para resolver as pendências do acordo coletivo. Então, a empresa remarcou para dia 5 de junho e para nossa surpresa não aconteceu, mas depois ficou esclarecido que dia 29 de maio duas pessoas assinaram o acordo: Paulo Ignácio e Aguilar Ribeiro. Eles assinaram sem a votação. A empresa agora fechou as portas para nós e proibiu nossa entrada e por este motivo estamos nos manifestando pacificamente”, explica Rogerinho, que também faz parte da direção atual do sindicato e ainda esclareceu que muita gente anda falando que é politicagem, mas que na verdade foi uma falta de respeito com o trabalhador.

Todos os dias os 12 sindicalistas, que fazem parte da comissão, que não concordam com o acordo assinado pelo presidente, fazem uma assembleia na porta do estaleiro para situar o trabalhador do passo a passo com a empresa. Na ocasião, estes representantes afirmam que a empresa não tem a intenção de retirar nenhuma obra do estaleiro Brasfels.

Em contrapartida, a empresa soltou uma nota para a imprensa afirmando que considera essa paralisação como um movimento inoportuno, absolutamente sem fundamento e totalmente contra os interesses dos trabalhadores. Em um trecho da nota diz: “A empresa tem certeza que o Acordo Coletivo desse ano foi amplamente discutido, acordado, devidamente aprovado em Assembleia dos Trabalhadores, legitimamente assinado pela Brasfels e pelo Sindicato e que está em pleno vigor, de fato as atas que levaram a assinatura do Acordo Coletivo foram assinadas por todos os Diretores, inclusive pelo Grupo”.

Em resposta à visita dos metalúrgicos a Câmara, o vereador Chapinha (PSD) fez um requerimento verbal para que a Casa crie uma Comissão Parlamentar Temporária que irá acompanhar todas as negociações do movimento e, se for necessário, ir até a Brasília. “Se a empresa abonar os 16 dias parados e pagar os metalúrgicos na sexta-feira próxima eles vão voltar ao trabalho”, garante Chapinha, que é ex-funcionário do estaleiro e está apoiando os trabalhadores da empreitada.

Fonte: A voz da Cidade