Para dirigentes, as paralisações de 24 horas na semana passada, em 33 empresas, foram fundamentais para a conquista

O reajuste salarial de 8% oferecido pela bancada patronal aos metalúrgicos na base da CUT no estado de São Paulo tem sido aprovado pela maioria da categoria. Até o momento, cerca de 150 mil trabalhadores do ABCa, Salto, Itaquaquecetuba, Cajamar, Bauru e Taubaté, já renovaram o acordo coletivo e encerraram as paralisações. Para os dirigentes, as paralisações de 24 horas na semana passada, em 33 empresas, surtiram efeito. Agora, faltam dois grupos patronais para finalizar a campanha salarial.

Na sexta (27), às 10h, representantes da Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT (FEM) têm nova rodada de negociação na Fiesp, em São Paulo, com a bancada patronal do Grupo 10 – lâmpadas, equipamentos odontológicos, iluminação, material bélico, entre outros – último setor que permanece em greve. Aproximadamente 35 mil trabalhadores que compõem esse setor já rejeitaram a proposta de 1,35% de aumento real (acima da inflação). Os trabalhadores da estamparia realizam assembleias até domingo (28) para analisar a contraproposta.

Além das reivindicações econômicas os metalúrgicos conseguiram garantir avanços nos direitos sociais. O presidente da FEM-CUT, Valmir Marques, o Biro Biro, afirma que foram conseguidos direitos, principalmente, para os jovens. “Para eles, há a garantia de que possam prestar os exames vestibulares sem serem prejudicados no trabalho, há garantias de que jornadas sejam adequadas às realidades dos cursos de faculdade, e que quando prestar serviço miliar, há garantia que voltará ao trabalho.”

Os metalúrgicos também garantiram novas cláusulas que beneficiam as mulheres, entre as quais a que garante a realocação da mulher gestante em função compatível com as condições físicas, licença-maternidade para mães adotantes e licença em caso de aborto.

Para José Paulo da Silva Nogueira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, as paralisações foram decisivas para que o setor patronal admitisse novas propostas. “A economia está melhor, o que é propício para conseguirem acordos melhores. A mobilização, a conjuntura atual, isso favoreceu muito para que fizéssemos bons acordos.”

 

Fonte: Rede Brasil Atual