Depois de 23 dias parados os operários batem o pé para que o estaleiro pague o adiantamento salarial antes da volta ao trabalho

Mais um dia e nada da solução para os metalúrgicos da cidade. Hoje aconteceu uma assembleia em que a empresa colocou uma proposta para os trabalhadores. Depois de 23 dias parados os operários batem o pé para que o estaleiro pague o adiantamento salarial antes da volta ao trabalho. Na reunião foi colocado em pauta que o BrasFels voltou a negociar e que está convencido em retomar as negociações das equiparações e qualificações, pagamento do adiantamento e salário, não punição aos empregados, pagamento do abono para quem está voltando pelo INSS e não descontar os dias parados.

A maior parte dos metalúrgicos não concordou em parar a greve, afinal a empresa só faria o adiantamento na quinta-feira próxima e não concretizou o não pagamento dos dias parados.  Portanto, os peões não quiseram voltar por não acreditarem nas intenções da empresa. Eles só irão voltar ao trabalho depois da garantia do adiantamento, do não pagamento dos dias parados e da volta da negociação do acordo coletivo.

De acordo com informações passadas pela Comissão de Trabalhadores, formada por parte da direção do sindicato que está rachado com a presidência do mesmo e que hoje representa os metalúrgicos, a empresa já está rediscutindo o acordo coletivo que foi assinado, mas o trabalhador só quer voltar com as demais garantias, além de tudo assinado e documentado.

Então ficou marcado para amanhã mais uma reunião no Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL), no Rio de Janeiro, com a participação da direção da empresa e seu corpo jurídico e parte da direção do Sindicato dos Metalúrgicos e seus advogados, onde eles voltam por mais uma rotada de negociações.

A pauta do dia será o pagamento imediato do adiantamento salarial, para aí sim o estaleiro poder normalizar os trabalhos. Mas desde já o trabalhador sabe que a empresa depois de 20 dias sem falar passa a negociar os itens que os metalúrgicos reclamam.

“Já estamos caminhando, pois antes o BrasFels não tinha intenção nem de nos ouvir, e sim bater o martelo, para o acordo sindical que apenas o presidente Aguilar Ribeiro concordou e assinou com o diretor Paulo Ignácio. Temos de concreto a volta das negociações do acordo e o pagamento para quinta-feira, mas com a volta imediata. Como a maioria não concorda vamos voltar a conversar hoje e só voltaremos se a maioria concordar. Mas quero registrar que já temos uma vitória, pois a empresa quer reavaliar nossas condições. Começamos o movimento juntos e vamos terminar juntos,” fala o sindicalista Rogério Moreira, conhecido como Rogerinho, que é um dos líderes da comissão que luta pelos direitos do trabalhador.

Conforme os trabalhadores registraram, a situação está a cada dia mais difícil. “Temos que voltar com garantias. A empresa brinca com a gente. Muitas pessoas nem imaginam o que a gente está passando. Porém, não tem ninguém brincando aqui. Já falaram até que somos birutas por lutar pelos nossos diretos. O racha do sindicato é porque o próprio presidente traiu a gente. Este grupo que está aqui é quem está com agente. Só vamos voltar em comum acordo,” afirma um metalúrgico, que não quis se identificar com medo de retaliação da empresa.

O impasse ainda continua, mas o que tudo indica é que está quase no fim. Todos os setores do município foram atingidos por causa da paralisação de quase oito mil funcionários. A decisão deve ser tomada amanhã em outra assembleia marcada para 7 horas em frente o estaleiro.

Fonte: A voz da Cidade