Pelo menos 20 funcionários da metalúrgica Arnaldo Pollone, de São Bernardo, souberam por meio de telegrama

Pelo menos 20 funcionários da metalúrgica Arnaldo Pollone, de São Bernardo, souberam por meio de telegrama, enviado no fim de semana, que seriam demitidos. No entanto, o advogado da empresa, Roberto Leonessa, alegou ontem, após reunião com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Nelsi Rodrigues, o Morcegão, que a companhia se equivocou. A intenção, segundo ele, era dar férias aos empregados, já que a empresa registrou queda na produtividade e no número de clientes.  “É o tempo (30 dias) para tentar estabelecer contrato com um novo cliente e tentar realocar o profissional. Por isso, decidimos cancelar a demissão.”

Entretanto, até o fechamento desta edição, os funcionários, que desde sexta-feira se revezam acampados na porta da empresa para impedir a retirada das máquinas (prensas e perfuradoras), não falaram em retornar ao trabalho. Há o receio de que, se os equipamentos forem levados, a metalúrgica feche as portas sem chance de negociação. Na semana passada houve uma tentativa de retirada, que não foi concluída por conta de ameaça dos trabalhadores.

Os funcionários afirmaram que estão parados porque a empresa não pagou o que devia aos ex-funcionários demitidos recentemente – a exemplo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Eles temem pelo dinheiro que podem não receber, caso sejam dispensados. “A empresa pode mandar embora, mas precisa pagar os nossos direitos”, disse um funcionário que não quis se identificar.

De acordo com o advogado, até o fim do ano passado a companhia empregava 220 profissionais – hoje são 130. Mas ele alega que os antigos empregados estão recebendo o dinheiro. “Entre os acordos referentes às demissões feitas em dezembro e março, já foram pagos 90% e 70% do valor, respectivamente.”

Segundo o representante da Pollone, a metalúrgica está sendo reestruturada com o objetivo de se readequar ao novo cenário, já que as empresas do setor de autopeças enfrentam a competitividade desleal dos preços internacionais. No entanto, Morcegão afirma que o problema já se mantém há, pelo menos, dois anos. “É um conjunto de fatos que têm levado o trabalhador à insegurança. De janeiro até agora, a empresa demitiu 100 pessoas.”

HISTÓRICO – Os funcionários da Pollone estão em greve desde o dia 8. No dia 11, após audiência de reconciliação, a empresa aceitou pagar 8% de reajuste. Mas, durante a reunião, novas reivindicações foram feitas pelos empregados, que inicialmente decidiram que retornariam ao trabalho ontem, desde que uma reunião fosse feita hoje para discutir as demais pendências. No entanto, após o envio de telegrama com as demissões e a ameaça de retirada do maquinário do local, os funcionários decidiram manter a paralisação e realizar assembleia hoje para discutir se retomam suas funções.

 

Fonte: Diário do Grande ABC