Segmento vem apresentando ampliação nas vendas nos últimos meses, mas pode começar a desacelerar diante de incertezas da economia

 

Com cerca de quatro mil indústrias em Goiás, o setor de metalurgia do Estado está entre os cinco maiores do País. Ainda que compartilhe das mesmas dificuldades de outros segmentos da indústria regional – como a falta de mão de obra, altas cargas de tributos (em especial àquelas relacionadas à folha salarial) –, o setor vem apresentando ampliação nas vendas nos últimos meses, mas pode começar a desacelerar diante de incertezas sobre a alteração da aplicação das alíquotas de impostos.

Das quatro mil unidades produtoras goianas, 600 fabricam portas, portais, janelas, esquadrias e estruturas metálicas, materiais elétricos e perfis metálicos. No geral, o segmento com­­pre­en­de também oficinas mecânicas, montadoras e indústria de transformação como um to­do. O fruto dessa produção abastece, primeiramente, o mercado regional, mas é também exportado para estados como Bahia, Tocantins, Distrito Federal e Rondônia. Pequena parcela tem como destino outros países.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicase de Material Elétrico de Goiás (Simelgo), Orizonar Araújo, embora o parque industrial tenha se mantido na mesma dimensão nos dois últimos anos, o setor conseguiu de firmar entre as cinco primeiras posições no ranking nacional e também está entre as cinco maiores entre as 36 atividades da indústria goiana. “Estamos entre os cinco Estados com maior atividade da indústria metalúrgica”, diz Araújo.

Espalhadas por todo o Estado, mas com maior presença nos municípios da região metropolitana da capital, a indústria metalúrgica emprega atualmente 20 mil trabalhadores, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Goiás (Sindmetal), Roberto Ferreira.

A maior concentração dessas indústrias está em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Goianira e Goiânia. Elas também se concentram em polos de Inhumas, Trindade, Leopoldo de Bulhões, Guapó, Goianápolis e Nerópolis. Essas indústrias tiveram papel fundamental para reduzir a queda da atividade industrial em Goiás este ano.

Enquanto a indústria geral apresentou estabilidade entre janeiro e março (0,09%), de acordo com dados da Federação das Indústrias de Goiás e, conforme divulgado pelo O HOJE, na semana passada, a indústria de fabricação de produtos metálicos cresceu 4,33%, com destaque para a fabricação de portas e esquadrias metálicas com destino à expansão da construção civil.

Apesar do momento, setor pode ter greve

Os trabalhadores da indústria metalúrgica em Goi­ás ameaçam interromper as atividades na segunda-feira (3), caso a proposta de reajuste salarial não seja atendida. A proposta inicial partiu de um aumento de 20% nos salários dos cerca de 20 mil empregados no setor em Goiás. A indústria propôs 9%. Desde então, a categoria passou a reivindicar um reajuste de 15%.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Goiás (Sindmetal-GO), o pedido de reajuste tem como pressuposto a correção da inflação de 7,22% acumulada no período, mais um ganho salarial de 7,8%. Antes da paralisação, os trabalhadores se reúnem, na sexta-feira (31), para apresentação da estratégia do movimento de greve.

Os metalúrgicos acreditam que o índice de 9%, proposto pela classe patronal, representada pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Goiás (Simelgo) é baixo.

Presidente do Sindmetal-GO, Roberto Ferreira garante que a mobilização será pacífica e se espelha no ganho salarial conquistado em 2009, em plena crise mundial, quando a classe conquistou o maior aumento no Brasil. “A greve é nossa última opção, enquanto trabalhadores”, dis­se. A data base da categoria ocorreu no dia 1º de abril.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Goiás (Si­- melgo), Orizomar Araújo, o momento de instabilidade do setor, embora com cresci­men­to nas vendas, não permite reajustes maiores. (A.P.)

 

Fonte: O Hoje (GO)