Média de captação, após mudança, subiu 123% frente aos primeiros meses. Se confirmado para todo este mês, saldo parcial representará novo recorde

As novas regras para a caderneta de poupança, que representarão perda de rendimento quando os juros básicos da economia recuarem para 8,5% ao ano, ou menos, o que pode acontecer já nesta semana, não desestimularam os investidores. Muito pelo contrário.

Segundo números divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central, a “nova” poupança, que registra as aplicações feitas de 4 de maio em diante, desde quando as novas regras têm validade, captou R$ 1,94 bilhão (depósitos menos retiradas). Este valor ingressou na mais tradicional modalidade de investimentos do país entre 4 e 22 de maio, uma média de US$ 149 milhões por dia útil.

Os dados mostram que houve um crescimento de 123% em relação aos valores captados pela caderneta de poupança de janeiro a abril deste ano, e nos dias 2 e 3 de maio, quando ainda valia a regra antiga de remuneração (rendimento de 6,17% ao ano mais TR). Neste período, os depósitos superaram as retiradas na poupança em R$ 5,71 bilhões – uma média de R$ 67,2 milhões por dia.

Os números do BC também mostram que a captação da poupança de 4 de maio em diante, representa, em 13 dias úteis, 33,9% dos ingressos totais registrados nos quatro primeiros meses de 2011, e nos dois primeiros dias úteis de maio (2 e 3), ou seja, em 85 dias úteis.

Resultado parcial de maio é recorde

Na parcial de maio deste ano, até o dia 22, a poupança captou R$ 3,75 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão nos dias 2 e 3 de maio (estoque que ainda será corrigido pelas regras antigas) e R$ 1,94 bilhão entre os dias 4 e 22. A captação, se confirmada para todo este mês, representará novo recorde histórico para meses de maio. Até o momento, a maior entrada de recursos na poupança, para maio, foi registrada em 2010 (+R$ 2,12 bilhões). A série histórica do Banco Central tem início em 1995.

Poupança antiga era 'obstáculo'

Na última semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse no Congresso Nacional que as alterações nas regras da caderneta de poupança permitirão novos cortes na taxa Selic – fixada pelo Banco Central.

“Para continuar reduzindo os juros, tivemos de fazer mudanças nas regras da poupança. Não podemos ter nenhum obstáculo, ou empecilho para que os juros continem caindo. A regra anterior da poupança se constituía neste obstáculo”, afirmou Mantega na ocasião.

Ele lembrou que, pelas regras antigas, a poupança começaria a “concorrer” com os fundos de renda fixa se os juros continuassem caindo – prejudicando a rolagem da dívida pública (emissão de títulos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo).

Alterações na poupança

Pelas novas regras definidas pelo governo federal, a poupança passará a ser atrelada aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial. Esse novo formato de rendimento da poupança será aplicado, porém, somente quando a taxa básica de juros, definida pelo Banco Central, atingir justamente 8,5% ao ano – o chamado “gatilho” para a mudança. Pela regra anterior, que vigorava desde 1991, a poupança não podia render menos de 6,17% ao ano, mais TR. A nova regra vale para depósitos feitos de 4 de maio em diante. A modalidade continua isenta do Imposto de Renda e sem a cobrança de taxa de administração.

Poupança ainda é vantajosa

Estudo da Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) informa que, mesmo com a alteração das normas, que baixará o rendimento da poupança em caso de queda na taxa Selic para 8,5% ao ano ou menos, a modalidade continuará se destacando frente aos fundos de renda fixa por não ser taxada com Imposto de Renda e não ter taxa de administração.

“Quanto à rentabilidade das novas poupanças, mesmo com as alterações feitas, que vão provocar uma redução em sua rentabilidade se comparadas às contas antigas, mesmo assim elas vão continuar se destacando frente aos fundos de renda fixa, pelo fato de que não pagam Imposto de Renda nem taxas de administração. Este fato deverá provocar reduções nos custos das taxas de administração dos bancos para não perderem clientes”, avaliou a associação.

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Fractal mostra que a “falta de conhecimento financeiro” do brasileiro gera “insegurança ao fazer aplicações”. Dessa forma, acrescenta o estudo, a tradicional caderneta de poupança lidera a escolha no momento de investir. Aplicações em fundos de renda fixa e ações na bolsa de valores, de acordo com o documento, não são “tão atraentes” para quase metade dos investidores.

“Para ter uma ideia, somente 0,3% dos entrevistados afirmam que investem em fundo de ações, por exemplo”, avaliou Celso Grisi, diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal.

Fonte: G1.com