Apesar da taxa de desemprego registrar a menor marca desde 2002, o rendimento real do trabalhador perdeu fôlego

Apesar da taxa de desemprego registrar a menor marca desde 2002, o rendimento real do trabalhador perdeu fôlego e cresceu 2,7% na média de 2011, quase um ponto percentual a menos do que em 2010, quando o avanço havia sido de 3,8%.

Dentre os motivos apontados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a desaceleração, estão o aumento do emprego formal (que tem um custo mais elevado para o empregador), a inflação mais alta no ano passado (6,5%, pelo IPCA) e o reajuste mais modesto do salário mínimo.

Regionalmente, São Paulo foi responsável pela menor expansão da renda. Na região, que conta com o maior mercado de trabalho do país, a renda cresceu apenas 0,7% na média de 2011 –em Salvador, o avanço foi de 5,2%, o maior entre as seis regiões pesquisadas.

O menor crescimento do rendimento correu em paralelo a níveis historicamente baixos de desemprego. A taxa média de 6% de 2011 foi a menor da série histórica do IBGE.

O desempenho favorável, porém, se deu mais por conta da redução da procura de trabalho do que pelo crescimento expressivo da abertura de novas vagas. O contingente de pessoas desempregadas e em busca de uma colocação caiu 10,4% em 2011, enquanto a ocupação subiu apenas 2,1%. Em 2010, o total de pessoas ocupadas havia crescido mais: 3,5%.

Um destaque positivo, porém, foi o aumento dos empregos formais, cuja expansão foi de 6,8% em 2011, acima do percentual médio de crescimento da ocupação.

“Em termos da qualidade do emprego, os dados mostram uma evolução muito positiva do mercado de trabalho em 2011”, disse Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

Para o técnico do instituto, o aumento da renda (ainda que mais modesto), a queda da taxa de desemprego e o avanço da formalização mostram que o mercado de trabalho pouco sentiu os reflexos da atual crise, diferentemente do que ocorreu em 2009. Naquele ano, a ocupação crescera apenas 0,7%, na menor taxa anual da série do IBGE.

Fonte: Folha.com