Aprodutividade na construção passa por um momento contraditório: a tecnologia melhorou, mas a qualidade da mão de obra continua a atrapalhar a “absorção” da tecnologia e o desempenho das empresas.

Com o boom vivido pelo setor até 2011, as empresas ganharam novos estímulos para investir mais em materiais e equipamentos construtivos.

Até 2005, segundo Renato Fonseca, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor da construção estava estagnado. No paeríodo, não havia melhorias tecnológicas efetivas.

As melhorias vieram, mas a mão de obra não acompanhou o grau de especialização exigido pelas novas técnicas.

Quando questionados sobre o que influiu na produtividade, 46,7% dos empresários da construção acham que a mão de obra afeta negativamente. Para 49%, a tecnologia tem impacto positivo.

“É um setor que investiu mais em novas tecnologias, mas a qualidade da mão de obra não acompanha essa melhoria”, afirma Fonseca.

Abaixo da média

Com isso, o crescimento da produtividade do setor ainda fica abaixo dos números da indústria de transformação e extrativa, por exemplo.

Em pesquisa realizada pela CNI, 53% dos empresários da construção afirmaram ter tido um crescimento na produtividade nos últimos cinco anos. O número é fraco, quando comparado com os 67% da indústria de transformação e extrativa.

Por estar submetida a competição internacional, a indústria extrativa e de transformação é estimulada a ganhar produtividade.

Mesmo assim, as empresas brasileiras ainda têm um nível muito baixo de eficiência e apenas 7% delas se acham mais produtivas que seus concorrentes internacionais, indica a pesquisa.

Para Paulo Sanchez, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP (sindicato que representa as empresas de construção), o setor sofre com a falta de planejamento.

 

Máquinas inadequadas

Na década passada, por exemplo, muitas empresas importaram equipamentos da Alemanha e dos Estados Unidos, com o intuito de melhorar a produtividade. Chegando aqui, essas máquinas não se adequavam ao tipo de projeto que se fazia no Brasil. A máquina servia para lajes planas, por exemplo, mas aqui eram produzidas lajes reticuladas.

Os equipamentos ficaram inutilizados, segundo ele.

Fonseca afirma que, tradicionalmente, o setor da construção civil recebe trabalhadores com menor qualificação, muitos deles cujo emprego é a porta de entrada no mercado de trabalho.

Com o boom e a necessidade de mais trabalhadores com melhor capacitação, as empresas tiveram dificuldades para contratar e acabaram elevando os salários.

Segundo Sanchez, a produtividade caiu nesse período porque as empresas estavam mais preocupadas em comprar terrenos e fazer lançamentos do que em planejar a construção.

Fonseca, da CNI, afirma que o problema se agrava porque, mesmo nos programas de capacitação, os trabalhadores têm dificuldade de aprendizado, devido ao baixo padrão da educação brasileira.

Fonte: O Hoje