Ministro diz que a economia brasileira vai crescer este ano 2,5%, ante alta de 3% prevista anteriormente

A economia brasileira vai crescer 2,5% neste ano, estimou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro revisou para baixo, pela sexta vez seguida, a estimativa oficial de expansão da atividade econômica em 2013, que antes era de 3%. Ele disse que esse ritmo é menor do que o crescimento potencial do País, embora acredite que, em meio à crise internacional, a concretização da estimativa pode ser considerada “bom desempenho”.

Repetindo o alerta do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o ministro, em entrevista à Rede Globo, disse que quem apostar na alta da moeda americana vai perder. “Essa alta excessiva é passageira. Para onde vai, nós não sabemos. Mas acho que depois da turbulência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), ela volta para patamares menores”, afirmou, em referência às indicações sobre o fim do programa de estímulo monetário dos Estados Unidos, que injeta dólares no mercado por meio da recompra de títulos.

Mantega classificou como “excessiva” e “passageira” a desvalorização do real e disse que as medidas coordenadas do governo tentam evitar “exageros” do mercado, que aproveita esse “movimento transitório” para fazer movimentos especulativos.

Na segunda-feira, o recado do presidente do BC sobre possíveis perdas provocadas por apostas em uma única direção do movimento de câmbio foi na mesma linha. Ontem, um dia depois de uma reunião da presidente Dilma Rousseff com Mantega e Tombini, a autoridade monetária anunciou um programa de leilões de câmbio para prover proteção cambial e liquidez ao mercado.

EFEITO NEGATIVO

O ministro da Fazenda disse que as “turbulências” no câmbio também atrapalham a atividade econômica. Segundo ele, o mercado consumidor internacional está parado, o que dificulta as exportações brasileiras.

O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pelo governo neste ano é menor do que a projeção do Banco Central (2,7%). Analistas do mercado são menos otimistas que o governo e trabalham com estimativas mais próximas de 2%.

A diferença entre as visões sobre a economia brasileira é ainda maior para 2014. De acordo com Mantega, a expansão do PIB será de 4% em 2014, ante estimativa anterior de 4,5%. Alguns economistas porém, acreditam em PIB mais fraco no ano que vem em relação a 2013. A mediana das projeções colhidas com uma centena de instituições para o boletim Focus é de 2,5%.

Mantega ainda admitiu que causou “mal-estar” no mercado os malabarismos que o governo fez para fechar as contas. Segundo ele, determinou maior transparência nas contas públicas e que o superávit seja mais próximo da meta, de 3,1%. 

Fonte: Estadão.com.br