Ontem, no período da tarde, Marchas e Shows comemorativos não chegaram a lotar a praça do trabalhador. CUT admite que a mobilização da classe é difícil

No histórico Dia do Trabalho, comemorado ontem, as mobilizações ocorreram de forma tímida em Goiânia. Centrais sindicais organizaram uma marcha, concentrações, shows e sorteios de prêmios, mas o público sequer conseguiu lotar, durante a tarde, um dos lados da Praça do Trabalhador, no Centro.

E entre aqueles que estiveram no local, boa parte foi atraída pela apresentação de artistas (como Chico Rey e Paraná, Di Paulo e Paulino, Elba Ramalho) e distribuição de brindes.

Foi isso que levou a merendeira Simone Aparecida dos Santos, 43, até a praça, onde chegou às 11 horas e só saiu no final da comemoração. Além de ver os shows de duplas sertanejas, ela torcia para ganhar o sorteio de uma motocicleta, feito pela Nova Central. Só manifestou seu descontentamento com o salário mínimo quando foi questionada. “Mesmo trabalhando só seis horas por dia, o salário mínimo é muito pouco. O governo precisa aumentar o valor.”

A atendente Jardênia Prates Vieira, 20, aproveitou o fim da Feira Hippie, onde também trabalha, para assistir aos shows da tarde, na companhia do técnico de informática Fernando Alves da Silva, 28. Eles admitem que foram atraídos para as comemorações do Dia do Trabalho apenas pelas apresentações. Mas Fernando fez questão de destacar a importância do movimento para a divulgação de bandeiras e reivindicações de classes trabalhistas.

“Mesmo estando aqui por outros motivos, a gente nunca deixa de ver os cartazes, as manifestações dos sindicatos. É assim que começa a conscientização das pessoas. É um processo de evolução”, afirma o técnico de informática. E Jardênia completa: “É sinal de que as coisas continuam caminhando.”

Já na Praça Cívica, de onde partiu a marcha organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) rumo à Praça dos Trabalhadores, a maioria dos manifestantes era formada por membros de acampamentos do Movimento Sem Terra (MST), vindos de váriaspartes do interior. Iron Martins e outras 15 pessoas do acampamento Quilombo, situado no município de Guapó, compareceram à mobilização da CUT. Ele participa do movimento há dois anos e destacou a importância da reivindicação dos trabalhadores em datas como a de ontem. “Sem luta, não chegamos a lugar algum”, destaca.

A presidente da CUT em Goiás, Bia de Lima, admite a dificuldade em mobilizar a classe, mesmo em datas importantes para os trabalhadores. “Eles cobram, querem retorno das negociações, mas não se prontificam a participar da luta sempre”, afirma. Mesmo assim, ela diz que os cutistas não abrem mão de atuar nas bases para fortalecer a conscientização de classe e unificar as bandeiras do campo e da cidade.

A deputada federal Marina Sant'Anna, que também esteve na marcha da CUT, lembra que a manifestação no Dia do Trabalhador em Goiânia representa um ato simbólico para lembrar a sociedade das demandas da classe, para refletir e repercutir as bandeiras dos movimentos sociais.

Na pauta da manifestação da CUT de ontem, estava a defesa do conceito de “trabalho decente”, aquele com a garantia de direitos, perspectivas, mais segurança e qualidade de vida. Nesse sentido, a central levanta a bandeira da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Bia explica que a mudança permitirá que o trabalhador possa se qualificar melhor para o mercado e aproveitar o tempo para o lazer, melhorando sua qualidade de vida e, consequentemente, sua produtividade. A presidente da CUT cita ainda estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeco-nômicos (Dieese) que aponta, como resultado da redução da jornada, a abertura de mais dois milhões de vagas formais de trabalho.

A CUT também requer a participação do trabalhador nas discussões sobre reforma tributária. “Precisamos discutir a redução dos encargos, mas desde que sejam preservadas as questões da Previdência, da Saúde e da Educação públicas. A diminuição de impostos não pode servir de desculpa para que o governo deixe de investir nas áreas essenciais para o trabalhador.”

 

Fonte: O Popular