A indústria brasileira está em situação de estagnação e os indicadores atuais mostram dificuldade de recuperação do setor

A indústria brasileira está em situação de estagnação e os indicadores atuais mostram dificuldade de recuperação do setor, segundo o gerente executivo da Unidade de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca.

Fonseca diz que o quadro revelado pela Sondagem Industrial de junho, divulgada nesta sexta-feira, 19, pela entidade, não é animador e não há sinais de recuperação. Se a situação não melhorar, segundo ele, mais demissões podem ocorrer. 'Não posso afirmar agora se (a demissão) é uma tendência definitiva, mas o risco de isso desencadear um ciclo negativo é muito forte. À medida que a indústria demitir, vai afetar outros setores', afirma. O efeito cascata, segundo ele, reduziria o consumo dos brasileiros. 'E o Brasil vem crescendo por causa do consumo das famílias, não por exportações ou investimentos', diz.

A pesquisa mostra que a produção industrial recuou em junho na comparação com maio, de 51,1 para 46 pontos. Também registraram piora a utilização da capacidade instalada, que caiu, e o nível de estoques, que cresceu. 'O problema é que você só volta a crescer a produção depois que conseguir reduzir os estoques', comenta Fonseca. Houve redução inclusive do número de empregados pelo setor na comparação de junho com o mês anterior.

Fonseca aponta que é necessário aumentar a competitividade da indústria, reduzindo o chamado custo Brasil. 'Para recuperar, precisa de investimento. Se estou com margem de lucro contraída e não estou otimista, dificilmente a indústria vai retomar seu investimento.'

Expectativas

Apesar de as expectativas dos empresários estarem positivas em relação à demanda e à quantidade exportada nos próximos seis meses, Fonseca pondera que há estabilidade, já que não houve grandes mudanças em relação aos meses anteriores. No que se refere às exportações, o representante da CNI aponta melhores perspectivas devido à desvalorização do real. 'As empresas podem cotar um preço em dólares mais barato e com isso acreditar que vão recuperar parte desse mercado externo que perderam com a crise', afirma.

Fonte: Diário da Manhã (GO)