A procura dos goianos por carros com IPI reduzido em dezembro não alcançou a expectativa das concessionárias do Estado, que entraram em janeiro com cerca de 3 mil unidades nos pátios, de modelos do ano passado (2013/2014). Os estoques ainda não foram renovados e continuam sendo vendidos a preços antigos, sem reajuste do imposto e nem da fábrica. E é com esse argumento que as revendedoras pretendem atrair os clientes e zerar os depósitos até o final deste mês.

Em 2013, foram emplacados em Goiás quase 122,5 mil automóveis e comerciais leves, 5,14% a menos do que em 2012. O resultado de dezembro ajudou a puxar o balanço para o negativo. Foram 11.587 emplacamentos, 14,4% a menos do que no mesmo mês do ano anterior.

Segundo dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Goiás (Sincodive-GO), a queda em Goiás foi muito mais acentuada do que a média nacional (que, no ano, foi de -1,61% e, em dezembro, -2,27%). “Ninguém sabe explicar o motivo”, afirma o diretor de Automóveis do Sincodive, Orlando Carlos da Silva Júnior.

Contudo, ele considera que o balanço das vendas em Goiás é positivo, visto que ficou muito próximo do desempenho de 2012, que foi um ano de recordes de vendas. “Como as vendas de Goiás foram muito boas em 2012, isso pode camuflar o desempenho de 2013 e aparentar que foi ruim. Mas, na verdade, seguramos um resultado quase igual e muito bom também”, analisa.

Para o gerente comercial da concessionária Tudo (Chevrolet), Charles Gonçalves, a pequena queda de vendas em 2013 é reflexo de dois fatores principais: o elevado grau de endividamento dos consumidores e, por conta disso, uma maior dificuldade imposta pelos bancos na concessão de crédito. “Mas queremos chegar a fevereiro com o mínimo de veículos possível”, diz.

O gerente comercial da Pinauto (Fiat), Romildo de Paula, diz que a concessionária teve um empate técnico nas vendas de 2013 e 2012. E acrescenta que o mercado já começou a reagir neste início de ano. “Desde o dia 2 de janeiro, estamos com a loja lotada. Alguns modelos já começaram a faltar, como o Grand Siena e a nova Strada”, frisa o gerente, que tem cerca de 300 unidades em estoque.

Na concessionária Chary Fàn, o estoque 2013/14 com IPI reduzido acabou no dia 3 de janeiro e a nova linha já teve acréscimo. Mas, caso haja interessados, é possível obter unidades junto à montadora, afirma o diretor da empresa, Sérgio Leão André, que também está à frente da Citroën Liberté Buriti, onde havia, até ontem, 23 unidades em estoque, no preço antigo.

EXPECTATIVAS

O resultado de 2013 não desanima o setor. Conforme o diretor do Sincodive, Orlando Júnior, sempre haverá espaço para crescimento nas vendas. “As pessoas não param de comprar. Tem gente trocando carro para substituir o que está ficando velho. Tem aqueles que bateram e querem um novo. Tem jovem completando 18 anos e ganhando o primeiro automóvel do pai. Tem pessoas entrando na faixa de renda de consumir carro novo. O mercado é muito dinâmico”, analisa.

Para zerar o estoque de quase 350 automóveis, o gerente de vendas da Belcar (Volkswagen), Lizandro Gomes de Brito, afirma que, além de trabalhar com preço antigo, a concessionária está com taxas promocionais para alguns modelos. “Apesar da Copa do Mundo e das eleições, 2014, se não for igual ao ano passado, vai ser melhor”, calcula.

As demais empresas (Pinauto, Liberté e Tudo) também apostam em taxas de juros menores, prazos e publicidade para atrair os clientes.

IPI

Com o aumento do Imposto sobre Produto Industrializado, os carros 2014/2014 devem ficar até 3,6% mais caros. A alíquota do IPI (que originalmente era de 7%) foi zerada em abril de 2012 pelo governo federal, como forma de incentivo ao consumo e à economia.

Desde o ano passado, o tributo começou a ser recomposto gradativamente. Para os carros populares com motores 1.0, a alíquota chegou a 2% em 2013 e, desde o dia 1º de janeiro, passou para 3%. Após o dia 30 de junho, o IPI voltará aos 7%. Para automóveis entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota subiu de 7% para 9% este ano e depois chegará aos 11%. Para os veículos movidos somente à gasolina, o imposto aumentou de 8% para 10% e, posteriormente, vai a 13%.

Fonte: O Popular