Pesquisa do Procon mostra que as taxas variam até 121% no mercado, mas o custo total da operação pode chegar a 17% ao mês

A pessoa que toma um empréstimo bancário sem observar a taxa de juros e todos os custos embutidos na operação pode pagar até três vezes mais no final. Uma pesquisa feita pelo Procon Goiás mostra que as taxas cobradas numa mesma operação, para clientes com o mesmo perfil, podem variar até 121% entre uma instituição e outra. Porém, na prática, os encargos podem ser bem maiores em alguns casos.

Foi o que aconteceu com o desempregado Danilo Cardoso, que procurou o órgão pedindo o cálculo revisional de um empréstimo de R$ 219,75 que deveria ser pago em 15 parcelas de R$ 41,58. Ao final do contrato, ele teria pago R$ 623,70, quase o triplo do valor inicial, pois o custo efetivo total (CET) da operação chegou a 17,16%. Se a taxa de juros fosse a média do mercado, de 6,01%, a prestação cairia para menos da metade: R$ 19,61.

Danilo acredita que foi enganado porque o funcionário da instituição garantiu que ele pagaria bem menos se antecipasse as parcelas. “Mas, mesmo antecipando, percebi que o valor ainda seria dobrado”, conta. Depois disso, ele garante que não quer mais saber de empréstimos.

ABUSOS

Os bancos continuam cobrando taxas mensais tão altas mesmo com a Taxa Selic estando em apenas 11% ao ano. A funcionária pública Flávia Rosana de Melo está pagando 7 empréstimos, com taxas médias de 5% ao mês cada, que pegou para cobrir despesas extras geradas por um problema de saúde. Mas, segundo ela, hoje os valores descontados na conta estão praticamente consumindo todo seu rendimento mensal.

O gerente de Pesquisa e Cálculo do Procon Goiás, Gleidson Tomaz, alerta que o consumidor não deve observar apenas a taxas de juros ao contratar um empréstimo. Segundo ele, é preciso estar atento ao custo efetivo total (CET) do contrato, que inclui outras cobranças, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Alguns bancos oferecem taxas menores, mas compensam isso com outros serviços”, adverte.

É importante saber o valor do CET em todos os bancos antes de assinar o contrato. Gleidson explica que, quando o consumidor procura o Procon pedindo o cálculo revisional, se a taxa estiver acima da média do mercado, é aplicada essa média, retirando os juros sobre juros. Depois, o banco é procurado em busca de um acordo. Se não houver êxito, o consumidor é orientado a procurar a Justiça. “Mas já existe um Acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás de que taxas abusivas devem ser reduzidas nos parâmetros do Procon”, afirma.

O gerente do Procon também alerta que o melhor é pegar o empréstimo no menor prazo possível, ou seja, em até 12 vezes. Ele lembra que é preciso avaliar bem o peso dessa dívida no orçamento, já que o atraso no pagamento implica em altos encargos. Quando o empréstimo é cobrado diretamente na conta, o consumidor ainda pagará juros do cheque especial, que são maiores que os do CDC.

É o que está acontecendo com a técnica de enfermagem Maria Aparecida Araújo, que paga dois empréstimos atualmente, divididos em 60 parcelas. Ela pegou R$ 6 mil e, no fim das contas, vai pagar R$ 15 mil com os juros. “Como as parcelas são cobradas no limite do meu cheque especial, ficará ainda mais caro no final”, prevê.

Fonte: O Popular