Em novo recorde e a despeito da retração da economia brasileira, os juros cobrados do consumidor nas operações de crédito em geral subiram de 40,9% ao ano, na média, em março para 41,8% anuais em abril, informou ontem o Banco Central (BC). A taxa média dos encargos no cheque especial puxou a alta, alcançando 226% ao ano, maior percentual apurado pela autoridade monetária em 20 anos. O juro médio em 1995 nessa modalidade era de 242,2% ao ano. Na comparação com março último, a elevação foi de 5,6 pontos percentuais.

Outro destaque na pesquisa divulgada ontem pelo BC foi a pesada taxação sobre o cartão de crédito rotativo. O cliente que deixou de pagar a totalidade da fatura do dinheiro de plástico em abril teve de arcar com jutos de 347,5% ao ano, mais alta taxa entre todas as modalidades do chamado crédito livre. É, também, a maior cobrança desde o início da série histórica do levantamento de dados, em março de 2011. O crédito total do sistema financeiro chegou a R$ 3,06 trilhões no mês passado, um crescimento de 0,1% frente a março e de 10,5% em 12 meses.

A cifra representa uma desaceleração em relação ao aumento do crédito de 11,2% verificado em 12 meses até março. No mesmo período do ano passado, o crescimento mensal foi de 0,7%. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, admitiu o arrefecimento, como reflexo do aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,25% ao ano. A Selic remunera os títulos públicos negociados no mercado financeiro e serve de referência nas operações dos bancos e do comércio.

“O comportamento do crédito é consistente com o ciclo de política monetária”, considerou Maciel. Há expectativas entre analistas de bancos e corretoras de que seja feita uma nova elevação da taxa na semana que vem, para 13,75% ao ano. O executivo do BC observou que não se trata de uma questão sazonal envolvendo o crédito e atribuiu parte da desaceleração à valorização do dólar em abril.

Não fosse alta da moeda norte-americana, a expansão do estoque de crédito em abril teria sido de 0,3% a 0,4%. Isso porque, de acordo com o técnico, a valorização do dólar contribuiu para que o aumento do estoque fosse menor em função de algumas carteiras de recursos estarem atreladas a essa moeda. A taxa média de juros nas operações realizadas pelas pessoas físicas chegou a 56,1% ao ano, a maior da série histórica iniciada em março de 2011. Em abril do ano passado, estava em 48,4% anuais.

Como era de se esperar, a inadimplência aumentou no mês passado. O BC informou que a taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,6% em abril ante 4,4% em março. Para pessoas físicas, passou de 5,2% para 5,3% na comparação mensal. Para as empresas, subiu de 3,7% para 3,9% de um mês para o outro. No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal ficou estável em 3,7% de março para abril. No cheque especial, subiu de 12,8% para 13,4% na comparação mensal. Na aquisição de veículos, a taxa ficou estável em 3,9% de março para abril. No cartão de crédito, subiu de 6,7% para 7,1% na mesma comparação.

DESENVOLVIMENTO Recuaram, também, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas, 1,1% de março para abril, somando R$ 605,445 bilhões. De janeiro a abril, houve expansão de 1,7% e, em 12 meses, de 14,1%. Em abril, houve recuo de 4,5% nas linhas de capital de giro (para R$17,692 bilhões), de 1% no financiamento ao investimento (para R$ 576,138 bilhões) e de 1,5% nas modalidades para o setor rural (R$ 11,615 bilhões). Para pessoas físicas, o crédito do BNDES cresceu só 0,2% em abril, para R$ 45,152 bilhões. As altas no ano até o mês passado e em 12 meses foram de 4,6% e 14,1%, respectivamente.

Fonte: EM