Apesar da burocracia, falta de qualificação e de crédito, número de empresas criadas por jovens cresceu 26% no Estado

O número de jovens que abriram um negócio próprio registrou expansão de 26% em Goiás, no ano passado, motivado pelo aquecimento no mercado e na demanda maior em áreas como serviços e tecnologia da informação. Diante da vontade de ser dono do próprio negócio, obstáculos como a burocracia, falta de qualificação e dificuldade no acesso ao crédito para iniciar a empresa ainda são grandes e frustram a maior parte dos jovens com desejo de se tornarem empreendedores.

De acordo com o presidente da Associação de Jovens Empresários em Goiás (AJE), Rafael Lousa, uma pesquisa que traçou o perfil do jovem empreendedor no Estado mostrou que 81% dos jovens universitários têm a intenção de empreender, percentual superior à média de 60% observada no País. “É um número muito positivo e está acima da média nacional, mas a maior parte deles não consegue atingir seu objetivo”, diz Lousa.

E não faltam pesquisas que estudam essa evolução. Em uma delas, realizada pelo Instituto de Pesquisas Ilumeo, a falta de investimento inicial é o principal entrave para 44% dos negócios iniciais. Entre outras dificuldades estão falta de capacitação técnica (14%) e falta de conhecimento sobre administração e mercado (12%).

Entre os oito mil jovens participantes da pesquisa e que disseram ter vontade de abrir o próprio negócio, apenas cerca de 10% deles vão efetivamente tentar e não mais que 1% conquistará sucesso como empreendedor.

Mais criadas

Em Goiás, segundo Lousa, o setor de serviços aparece na frente com mais empresas criadas por jovens. Em seguida aparecem os setores de tecnologia da informação (TI), biotecnologia e biomedicina, voltados para o melhoramento de fármacos, e o agronegócio, que também têm grande volume de negócios iniciais no Estado. Comércio e indústria aparecem entre as atividades com menor número de empresas. Entre os estudantes brasileiros da área de TI, 40% querem abrir um negócio nos próximos anos, de acordo com a pesquisa do Ilumeo.

A pesquisa Empreendedorismo nas Universidades, da Endeavor Brasil, diz que a independência é o maior motivador do empreendedorismo entre os jovens (76,7%). Na sequência aparecem dinheiro (66%), segurança (56%) e recompensas pessoais (55%).

Segundo dados do Portal do Empreendedor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), jovens com idades entre 16 e 30 anos representam 28% entre 102.845 microempreendedores individuais (MEIs) registrados no Estado até hoje, somando mais de 28,6 mil MEIs nesta faixa etária. O restante, 74,1 mil, tem mais de 31 anos de idade. Em Goiânia, os jovens representam 30% no total de empreendedores individuais.

Acesso ao crédito é principal causa de desistências

O acesso ao crédito é o primeiro e principal obstáculo e que causa desistência na maior parte dos possíveis novos negócios. “Não ter recurso é natural para qualquer empresário, mas os jovens não têm garantia real para adquirir um financiamento e muitos já desistem nessa fase”, explica Lousa.

Mesmo que tenham algum conhecimento sobre o negócio, carecem de qualificações específicas para uma gestão eficiente. “Têm dificuldades nos setores de recursos humanos, financeiro e de planejamento.” A burocracia, mais intensa em alguns segmentos, fecha a lista de barreiras.

O jovem empresário Peterson Demes, 30, deu início ao seu sonho após trabalhar como executivo trainee na Câmara Americana de Comércio, em três multinacionais, entre outras empresas de onde adquiriu experiência e recursos financeiros. “Meu perfil era identificar uma nova oportunidade de negócios. Através de muita pesquisa e planejamento, descobri o segmento de construção”, diz ele.

A empresa Provence Acabamentos, criada com duas sócias, foi inaugurada no último dia 5 e vai atender a um nicho de mercado crescente no País.

Ao contrário de Demes, desde que têm a ideia de abrir um negócio próprio, 38,1% dos jovens gastam muito tempo aprendendo a iniciar as atividades da nova empresa. Apenas 44,2% deles cursou alguma disciplina ligada a empreendedorismo.

O sonho de ter o próprio negócio faz parte dos desejos de 44% dos brasileiros entre todas as idades. Apenas 25% sonham em ter carreira em uma empresa, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2012 (GEM), realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP). De cada dez empresas que abrem as portas, sete são por oportunidade de negócios e apenas três por necessidade.

Fonte: O Hoje (GO)