Alta do imposto para veículos aconteceria a partir de hoje. Decisão ocorre diante da fraqueza do setor

São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem a manutenção da alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos, que deveria subir hoje. O governo também manteve o IPI menor para o setor moveleiro e painéis em 4%. Nos dois casos, o corte vai até dezembro. O objetivo das medidas, disse o ministro, é “viabilizar um segundo semestre melhor”. Em 3% desde janeiro, a alíquota do IPI para carros com motor 1.0 deveria voltar a 7%. Para veículos com motor flex até 2.0 retornaria para 11%, mas foi mantida em 9%. Para versões a gasolina, passaria de 8% para 13%.

Mantega, que há um ano havia dito que não havia mais espaço para cortes de impostos, levou em conta o fraco desempenho do mercado de veículos e as medidas de redução de produção que vêm sendo adotadas pelas montadoras, como férias coletivas, lay-off (suspensão de contratos de trabalho) e programas de demissão voluntária. Só neste ano, as montadoras já cortaram 4,7 mil vagas.

Até maio, a produção de veículos caiu 13,3% em relação aos cinco primeiros meses de 2013, também em razão da queda das exportações principalmente para a Argentina.

Segundo Mantega, “uma série de motivos, entre os quais a questão do crédito”, influenciou negativamente o mercado. “Houve diminuição de crédito e encarecimento nesse período (primeiro semestre) e também no período mais atual.”

O ministro afirmou ainda que a Copa, “apesar de estar sendo um sucesso”, tem impactos negativos no setor. “Foram sete dias úteis a menos, o que influenciou as vendas”, disse. Segundo Mantega, há uma certa semelhança entre o primeiro semestre do ano passado e o deste ano.

 

ARRECADAÇÃO

“Com a manutenção do IPI, podemos ter um segundo semestre melhor”, disse o presidente Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, que se reuniu com Mantega domingo, em São Paulo.

Segundo o ministro, com a manutenção do IPI para carros, o governo vai deixar de arrecadar R$ 800 milhões até dezembro e a renúncia fiscal no ano será de R$ 1,6 bilhão. Ressaltou, no entanto, que não é uma renúncia propriamente dita, pois o governo já não estava arrecadando o tributo e já não contava com esse valor. Para o setor moveleiro, o IPI menor implicará renúncia fiscal de R$ 320 milhões até dezembro.

Moan afirmou que a perda da arrecadação só ocorrerá se as vendas continuarem no mesmo patamar. “Mas esperamos elevar as vendas”, disse, destacando que, no ano passado, quando a alíquota do IPI passou a ser menor, “houve aumento de vendas e de arrecadação de PIS/Cofins e de emplacamentos”.

Executivos do setor automotivo acreditam que a segunda metade do ano será “um pouco” melhor que a primeira, mas não apostam em alta das vendas em razão do IPI menor.

DESASTRE

“A manutenção do IPI vai ajudar a evitar um desastre maior”, disse Jaime Ardila, presidente da General Motors América do Sul. O presidente da Ford do Brasil e América do Sul, Steven Armstrong, também acredita que, no máximo, as vendas vão parar de cair.

Para o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti, o IPI menor é fundamental para a recuperação das vendas. “Estamos em um ano com mais dificuldades da economia, a Copa afetou o comércio de uma forma geral e o IPI maior traria um reajuste de até 5% no preço final. O mercado não suportaria um impacto dessa magnitude”. Para ele, a queda atual pode ser revertida, já que o segundo semestre terá mais dias úteis.

A presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, disse que a manutenção do IPI do setor moveleiro em 4% (o normal é 5%) é importante para garantir a manutenção dos 300 mil empregos diretos do setor. “É um acordo tácito, não é por escrito, mas o que o governo espera da indústria é a manutenção do emprego.”

Fonte: O Popular