Num esforço para reforçar o caixa federal, a equipe econômica do governo Dilma decidiu elevar, parcialmente, o imposto cobrado de veículos e outros produtos a partir de janeiro

Brasília – As alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e utilitários serão elevadas a partir de 1º de janeiro, que variam conforme a cilindrada e o tipo de veículo. Com isso, a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff começou a retirar as medidas anticíclicas usadas para amenizar os impactos da turbulência internacional sobre a atividade doméstica. A nova tabela irá vigorar até 30 de junho de 2014. Em julho, o governo poderá adotar novas alíquotas, variando de 4% a 13%.

A medida trará um aumento na arrecadação de R$ 956 milhões de janeiro a junho do ano que vem. Apesar dessa elevação, o Ministério da Fazenda acredita que não haverá impacto sobre a inflação nem demissões no setor por causa de um pacto fechado com a indústria.

NOVAS ALÍQUOTAS

A partir de janeiro, a alíquota para os carros de até 1 mil cilindradas passará de 2% para 3% e, no segundo semestre, aumentará para 7%, mesmo patamar da alíquota que vigorava antes das ações do governo para conter a crise. Nos veículos de até 2 mil cilindradas flex, a alta no período será de 7% para 9% e, a partir de julho, para 11%. Já para os veículos da mesma potência, mas movidos apenas à gasolina, o aumento será dos atuais 8% para 10%, voltando para 13% no segundo semestre.

O governo anunciou ainda elevações para utilitários e utilitários de carga de 2% para 3%. A partir do segundo semestre, a taxa do primeiro grupo será de 8% como era antes e a do segundo, de 4%, metade do que vigorava até o ano passado. Apenas com o retorno de parte desse imposto para os carros, o governo acredita que arrecadará R$ 950 milhões a mais até junho

No caso dos caminhões, a decisão foi pela manutenção da alíquota zero, que passou a vigorar em janeiro do ano passado. O fim do IPI para caminhões, de acordo com o secretário-executivo interino do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, é “definitiva”, ou seja, não tem prazo de validade e se manterá até que uma nova decisão seja apresentada pelo governo. “Caminhão é um bem de capital. É, em particular, um bem de logística e que tem impacto em toda a economia”, argumentou.

ACORDO

Oliveira defendeu que a maneira mais adequada de recompor a alíquota do imposto sobre os veículos é gradual. “O objetivo é evitar impacto muito grande nas vendas. Do ponto de vista da decisão de política, todos sabiam que (a redução das alíquotas) era temporária”, considerou. Conforme o secretário, o governo tem tomado suas decisões de acordo com as circunstâncias de cada período. “Temos tomado decisão condizendo com a conjuntura daquele momento”, afirmou.

O secretário-executivo aposta que um acordo fechado com a indústria automotiva barrará repasses sem explicação para os preços. “Há o compromisso de que aumento dos preços não seja acima do justificado”, disse. Ele salientou que, nos últimos meses, até por conta dos benefícios concedidos pelo governo, a inflação dos automóveis tem apresentado inflação abaixo da média. Além disso, o secretário lembrou que a transmissão para os preços não ocorre de forma automática, pois há variáveis como estoques e condições de mercado.

Fonte: O Popular