primeiros sinais de esgotamento do contínuo processo de ganhos econômicos e sociais aparecem

Em plena campanha eleitoral, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta os primeiros sinais de esgotamento do contínuo processo de ganhos econômicos e sociais experimentados ao longo de mais de uma década no Brasil, com redução da concentração de renda, ampliação do consumo e bem-estar e avanços na educação – filme no qual a emergente classe C passou de estreante a protagonista.

A piora começou pelos indicadores econômicos, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2013, divulgada ontem. O baixo desemprego e a queda da desigualdade, duas das principais bandeiras dos governos do PT na economia, interromperam importantes sequências de quedas, nas quais renovavam, ano após ano, recordes de baixa.

O quadro geral é de estagnação nos níveis de 2011. A taxa de desemprego nacional, medida anualmente pelo IBGE, ficou em 6,5% em 2013, acima dos 6,1% registrados em 2012, a primeira alta desde 2009, quando a economia sofria os piores efeitos da crise mundial de 2008.

O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, piorou para 0,498 em 2013, ante 0,496 em 2012, considerando o rendimento do trabalho – quanto mais perto de zero menor a desigualdade. Para o IBGE, o quadro é de estagnação.

A explicação para a interrupção no processo de queda da desigualdade visto no País por uma década está na disparidade, entre pobres e ricos, nos ganhos de renda.

Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) minimizou a estagnação na queda da desigualdade, afirmando que, ao se olhar para a frente, “há uma extraordinária queda da desigualdade”.

Apesar disso, algum nível de bem-estar propiciado pelo maior acesso ao consumo se manteve. O número de residências com computador e carro cresceu em 2013. Já em relação à rede mundial de computadoresm, pouco mais da metade dos brasileiros com mais de dez anos tinham acesso à internet em 2013. Mas o ritmo da expansão foi menor do que nos anos anteriores.

A proporção de usuários passou de 49,2% em 2012 para 50,1% do total. Em 2008, apenas 34,8% estavam conectados. Aproximadamente 87 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade usaram a internet no período de referência do levantamento, o que representa um crescimento de 2,9% (ou 2,5 milhões) de usuários em relação ao ano anterior. De 2011 para 2012, o aumento tinha sido de 6,9%; de 2009 para 2011, de 14,8%, e de 2008 para 2009, de 21,6%. Houve crescimento do contingente de internautas em todas as regiões, principalmente no Nordeste (4,9%) e no Sul (4,5%).

Jovens

Mais da metade (52,6%) dos internautas tinha de 10 a 29 anos. Os maiores índices foram registrados entre pessoas de 15 a 17 anos (76%) e 18 ou 19 anos (74,2%). Já na faixa de 50 anos ou mais, 21,6% estavam conectados. As mulheres eram maioria: 51,9% do total.

A série histórica de 2001 a 2013 mostra que a proporção de residências que tinham microcomputador com acesso à internet cresceu de 8,5% para 43,7% no período. O levantamento também indicou que 130,8 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham telefone celular para uso pessoal, um crescimento de 6,3 milhões em relação ao ano anterior. O porcentual aumentou de 72,8% em 2012 para 75,5% do total da população de 10 anos ou mais.

A emergência da classe C também causa impacto nos indicadores de educação. No ano passado, 76,5% dos estudantes estavam matriculados em alguma instituição pública, em comparação aos 77,4% em 2012 e aos 80,9% em 2004. Especialistas apontam que houve migração para o ensino privado – fenômeno relacionado ao aumento da renda, mas também à baixa qualidade do ensino público.

Fonte: O Popular