Smartphones, drones e tecnologia wearable (dispositivos de vestir) já estavam entre as principais tendências para 2014. Os celulares inteligentes ultrapassaram em número de vendas os tradicionais pela primeira vez no Brasil, drones ganharam diversos usos e relógios e pulseiras inteligentes, vários lançamentos. Diante da conectividade e uso de diferentes tecnologias, a expectativa é de que a internet das coisas tenha mais atenção em 2015 e, com ela, produtos que pareciam estar além da imaginação podem aparecer.

“Há um aumento da penetração dos dispositivos inteligentes e a popularização da banda larga móvel, o que torna os consumidores mais conectados e preparados para isso”, explica o especialista do ConsumerLab da Ericsson na América Latina, André Gualda. Relatório anual com as dez tendências de consumo (veja no quadro), realizado pela Ericsson, mostra que faltando cinco anos para 2020 internautas estarão cada vez mais à vontade com a ideia de ter robôs em casa e até compartilhar pensamentos.

“As ligações em cem anos conectaram um bilhão de lugares, depois deixamos de conectar lugares para conectar pessoas, de 1970 até hoje foram 3 bilhões. E agora começa a conectar tudo, a gente fala em 50 bilhões de coisas até 2020.” O relatório, que é focado em usuários de smartphones de 15 a 69 anos de diversas cidades do mundo, indica que é esperado que novas formas de comunicação surjam ainda mais rápido com os wearables.

Lançamentos de produtos neste ano induziram o aumento de três vezes em pesquisas no Google por “wearable tech”, de acordo com a companhia. E esse burburinho veio acompanhado pelo gerenciamento das vidas por meio de dispositivos móveis. Isso, para Gualda, também mostra que as pessoas estão começando a enxergar benefícios neles e em aplicativos para tornar a vida mais saudável. “Acreditam que um app usado de forma regular pode aumentar a expectativa de vida em até dois anos.”

 

CONECTIVIDADE

Se mesmo com mais lançamentos disponíveis no Brasil em 2014 esses dispositivos não se popularizaram, é porque a população ainda não via benefícios mais claros nos aparelhos e o potencial deles, como propõe o especialista do ConsumerLab. E o futuro muito retratado em filmes de ficção científica passa a ficar mais próximo com a conectividade integrando mais áreas da vida, isso vale para casas e até cidades.

“As cidades inteligentes são efeito colateral dos cidadãos usando cada vez mais aplicativos e dispositivos inteligentes. As pessoas em app que mede volume de reservatório de água e ajuda a economizar, tem apps como o Waze para encontrar a rota mais rápida o que vai auxiliar as cidades”, aponta. E o mundo está mais preparado para consumir tecnologia é o que defende o especialista em tecnologias e inovações, Marcelo Roncato, que também é professor do Ipog.

“O desafio não é só a inovação, mas a acessibilidade para as pessoas. Este ano tivemos destaque para os wearables, que são úteis para a sociedade que está mais preocupada com a saúde e qualidade de vida, representam percentual pequeno, mas a proporção está crescendo.” O custo desses aparelhos também é pontuado como responsável por não terem tido o boom esperado e arrastar a expectativa para os dois próximos anos.

“O que eu vejo para 2015 são recursos integrados para mais conforto em um aparelho só.” Para o professor, a hora é de melhorar a performance dos eletrônicos já que muitas aplicações móveis foram desenvolvidas nos últimos anos e há necessidade de desempenho que acompanhe essa evolução. Com isso, tecnologias como a de realidade virtual – que também teve as buscas no Google disparadas neste ano – começam a ganhar espaço com mais recursos para o entretenimento, afirma Roncato.

Fonte: O Popular