Custo de vida do goianiense no período subiu 7,1%, puxado pelos alimentos, no segundo semestre de 2010, e combustíveis, este ano

A inflação acumulada em Goiânia já atingiu 7,1% nos últimos 12 meses, bem acima do índice de 5,11% acumulado ao longo de todo ano passado, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta no custo de vida do goianiense é resultado dos reajustes nos preços dos alimentos no segundo semestre do ano passado e dos sucessivos aumentos dos combustíveis desde o início deste ano.

O IPCA mede a inflação oficial do País, usada como base para as metas do governo, e contempla as famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Em abril, a inflação de Goiânia fechou em 0,90%, a terceira maior entre as capitais pesquisados, puxada por um reajuste médio de 5,9% nos preços dos combustíveis: 5,6% na gasolina e 11,5% do etanol, o que tem gerado muita polêmica. Segundo o IBGE, o preço médio da gasolina em abril ficou em R$ 3,01 em Goiás, o maior do País, com uma variação de 12,9% no ano. Já o etanol acumula uma variação anual de 43,7%, também a maior do País.

Reajustes


O goianiense está sentindo o peso do aumento do custo de vida nos últimos 12 meses. Neste período, os combustíveis ficaram 29,8% mais caros e as carnes e peixes industrializados subiram quase 20%. Em abril, as aves e ovos também estavam custando quase 18% mais que no mesmo período do ano passado e os óleos subiram 16,5%.

A segunda maior pressão no mês de abril veio dos produtos de vestuário, que ficaram 1,85% mais caros. Ao contrário do ano passado, este ano a pressão sobre a inflação não está vindo dos alimentos, que perderam força no mês de abril, como lembra a gerente de Pesquisa do IBGE, Irene Maria Machado. O índice, que teve uma alta média de 0,45% em abril, só não foi menor por causa de reajustes de 12,5% no preço da batata, 4,8% do frango e 3,1% do feijão carioca.

Segundo Irene, outras pressões vieram do leite pasteurizado, da refeição fora de casa e até dos refrigerantes. Por outro lado, os alimentos foram beneficiados por quedas de 20,4% no preço do tomate e de 1,36% no custo médio das carnes.

“Mas as quedas não foram suficientes para deixar o índice negativo”, ressalta Irene.

Segundo ela, a expectativa é que os preços dos combustíveis sejam reduzidos com o início da entressafra de cana e deixem de pressionar a inflação neste mês de maio, podendo até puxar os preços de outros produtos para baixo. Porém, ela lembra que a inflação ainda deve sofrer influência de aumentos nos preços administrados nos próximos meses, como a água e esgoto.

Peso
O peso dos combustíveis é grande no orçamento das famílias pesquisadas no IPCA, com renda de até 40 salários mínimos. Para o gerente de Indicadores Econômicos e Sociais da Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), Marcelo Eurico de Sousa, a meta de inflação anual do governo já está comprometida. O centro da meta é de 4,5%, com dois pontos de tolerância para mais ou menos.

Marcelo adverte que, até o fim do ano, ainda há muitos itens que podem contaminar a inflação, como as tarifas de serviços e transporte públicos, ou mesmo novas altas sazonais nos preços dos alimentos. Ele lembra que, neste mês, o goianiense arcará com um reajuste de quase 6% na tarifa de água e esgoto. Ainda há a perspectiva de reajustes do transporte coletivo e energia elétrica no segundo semestre.

“A queda de temperatura no inverno e a demanda externa por alguns produtos podem influenciar a inflação dos alimentos, por exemplo. O que muda é só o fator gerador” alerta o gerente.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação para as famílias de Goiânia com renda de até 5 salários mínimos, também mostrou um índice acumulado de 8,06% nos últimos doze meses.

Fonte: O Popular