Levantamentos divulgados ontem mostram cenários diferentes para o consumidor

Com reduções nos preços de sete dos 13 itens pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e que compõem a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos, Goiânia foi a única capital a registrar queda no custo da cesta entre 17 regiões pesquisadas (-5,41%). Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que é a inflação do goianiense, medida pelo Instituto Mauro Borges da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), foi de 3,31%, o maior em 11 anos. Apenas em 2003, o índice no quadrimestre foi de 7,36%. Ambos os levantamentos foram divulgados ontem.

Na capital goianiense, a cesta básica custou, em abril, R$ 293,27, o sétimo menor custo entre as 18 cidades pesquisadas. Em relação a março, houve retração de 5,41% nos preços dos produtos essenciais, a única do conjunto das capitais pesquisadas. No acumulado do ano, houve alta de 6,77%. Já na comparação com abril de 2013, o aumento foi de 3,18%.

Em abril, cinco itens que compõem a cesta de Goiânia apresentaram elevação: leite (3,83%), farinha de trigo (1,96%), óleo de soja (1,89%), batata (1,36%) e carne bovina (1,04%). O açúcar foi o único produto que apresentou estagnação (0,00%). Os produtos que tiveram os preços reduzidos no mês foram: tomate (-26,95%), banana prata (-17,71%), feijão carioquinha (-8,26%), café (-4,18%), pão francês (-1,33%), manteiga (-0,52%) e arroz agulhinha (-0,44%).

Na comparação anual, oito dos 13 itens apresentaram aumento: farinha de trigo (21,99%), carne bovina (16,07%), pão francês (15,76%), leite in natura integral (12,94%), arroz (8,57%), batata (2,40%), manteiga 1,89%) e açúcar (0,67%). Os preços dos demais itens recuaram: feijão carioquinha (-37,70%), óleo de soja (-8,81%), tomate (-8,56%), banana prata (-6,96%) e café em pó (-2,20%).

Inflação cresce menos

Depois de uma inflação altíssima em março de 1,22%, os preços em Goiânia em abril deram uma recuada e aumentaram 0,53%. O grupo responsável pela alta da inflação em abril não mudou, os alimentos aumentaram em média 0,54%.

Apesar da alta nos preços, a chefe de gabinete de Gestão do Instituto Mauro Borges/ Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), Lillian Prado, diz que o índice surpreendeu, pois era esperada uma alta maior. Porém, houve um equilíbrio no preço dos alimentos que subiram e dos que abaixaram. A batata inglesa subiu 9,8%; raízes e tubérculos no geral aumentaram 5,21%; o frango teve alta de 5,63%; os ovos, de 6,77%, e o leite, 7,08%. A justificativa para essas altas, além sazonalidade, é o início da entressafra no caso do leite e carne. Já a alta do frango se explica com a redução das promoções e motivadas pela grande procura, forçando eleção do preço do produto.

Já o tradicional vilão da inflação, o tomate, teve queda expressiva no mês passado de 10,71%, o grupo de hortaliças também recuou 3,6%, assim como a banana prata, que caiu 9,12%, e o feijão carioca, que, devido as várias promoções, teve redução no preço de 2,30%. No caso das frutas, é início da safra e a fraca demanda forçou a queda nos valores.

O técnico em cerâmica Fernando Rocha diz que o preço da carne e do frango está exorbitante, só o que é sazonal está barato. Ele acredita que os problemas climáticos influenciam nas altas dos preços, porém argumenta que há muita especulação também. Diante de tanta carestia, ele diz que procura aproveitar as promoções e assim economizar.

Outros grupos

O grupo vestuário teve um aumento de 1,36%, embora tenha tido um aumento geral maior que o grupo dos alimentos; a contribuição no índice foi menor. O grupo saúde e cuidados pessoais teve alta de 1,22%, puxado principalmente pela elevação nos medicamentos. Segundo Lillian Prado, o aumento médio no preço dos medicamentos em Goiânia não passou de 2%, devido à concorrência das redes de farmácias. O reajuste de 1,81% no etanol e de 0,96% na gasolina foram os principais motivos da elevação de 0,41% no grupo de transportes.

Previsão

Para maio as perspectivas são de preços mais altos e inflação maior, provocado pelo aumento de R$ 0,10 no transporte coletivo e na tarifa de água e esgoto. Segundo o gerente de pesquisas Sistemáticas e Especiais, Marcelo Eurico de Sousa, apenas essas duas tarifas representam 40% no cômputo do índice, que vai ter pressão positiva significativa neste mês.

Fonte: O Hoje