A possibilidade da Selic chegar a um dígito, conforme apontou o Copom, deixa os analistas em alerta

São Paulo – O ano mal começou e analistas do mercado financeiro já se mostram preocupados com a inflação em 2013. O temor em relação à evolução dos preços no ano que vem ganhou força após o Banco Central ter divulgado nesta quinta-feira a ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), bastante explícita na indicação de que é elevada a probabilidade da Selic recuar para um dígito neste ano.

A ata, na avaliação dos analistas, desfez a percepção extraída do Relatório Trimestral de Inflação de que o ciclo de baixa dos juros poderia terminar em 10% ao ano. Agora, o consenso é de que a Selic caia a 9,50% ao ano.

Crescimento

A ata, na avaliação dos especialistas, confirmou o que mercado já tinha percebido: que o governo está mais comprometido com uma meta de crescimento econômico do que com uma meta de inflação. Neste aspecto, a preocupação dos analistas recai sobre a inflação de 2013 do que sobre 2012 porque é, a partir do segundo semestre, que o mercado espera ver uma aceleração mais consistente da atividade econômica.

O economista da Kinea Investimentos Alessandro Del Drago, por exemplo, projeta uma expansão do PIB de 1,2% anualizado ao longo do primeiro semestre e 4,8%, na segunda metade do ano.

Após a ata, Drago passou a trabalhar com um corte de 1,50 ponto da Selic – três cortes de 0,50 ponto porcentual ante dois cortes previstos antes da divulgação do documento. A previsão de 5,5% para o IPCA em 2012 e em 2013 foi substituída para, respectivamente, 5,3% e 5,7%.

A avaliação do economista é de que, se hoje a taxa de juro real ex-ante está em 4,3%, com um corte adicional de 0,50 ponto, ela se tornará ainda mais estimulante à expansão da atividade, com reflexos sobre a inflação.

Em 2012, a inflação não chega a preocupar muito os analistas, porque os preços das commodities estão menos pressionados do que em 2011, quando desde o começo do ano tiveram impacto na inflação de alimentos, diz o economista da Tendências Consultoria Integrada Thiago Curado. Ele pondera, no entanto, que o alívio nos preços das commodities decorre mais em função de uma base de comparação elevada do que de uma melhora efetiva na situação deste mercado.

“Pelo lado da oferta os preços estão desacelerando mas, a partir de maio, a previsão é de que comecem a subir. Tanto que a previsão da Tendências para o IPCA acumulado em 12 meses em maio será de 5,11% ante 6,50% em dezembro.”

Previsões

Para o economista da LCA Consultores Fábio Romão, os alimentos que subiram 7,2% em 2011 devem ter sua inflação recuada para 5,40% neste ano. Os administrados que, segundo ele, subiram 6,2% em 2011, deverão aumentar 4,30% este ano. “Então, há uma grande diferença de um ano para outro”, diz Romão. Ele acredita que poderá ocorrer uma recomposição dos preços das commodities no decorrer deste ano, mas que mesmo assim os alimentos subirão menos.

Ainda assim, a LCA trabalha com inflação acima do centro da meta neste e no próximo ano, com o IPCA ficando em 5% em 2012 e ao redor de 5% em 2013. O problema serão os serviços que deverão subir mais neste ano no IPCA a reboque da alteração da ponderação deste segmento pelo IBGE que, entre outras coisas, incorporou nos serviços a alimentação fora do domicílio.

Pela conta antiga, a inflação dos serviços que no ano passado foi de 9%, neste ano seria de 8,2%. Mas, com a nova metodologia, vai subir mais que o previsto.

Fonte: O Popular