Rio- Um comportamento mais “disseminado” de aumentos de preços no varejo levou a uma arrancada da inflação sentida por famílias de baixa renda em abril. É o que mostrou o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), usado para medir a evolução de preços entre famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos, e que acelerou de 0,80% para 0,84% em abril.

Segundo economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e responsável pelo cálculo do indicador, André Braz, o bolso das famílias de menor poder aquisitivo sofre pressões de custos de várias direções – diferente do que ocorreu no ano passado, quando a inflação entre os mais pobres era impulsionada por alimentos mais caros.

“Não tivemos apenas a contribuição de um grupo específico, somente, para a taxa maior do indicador; notamos acelerações de preços em várias classes de despesa diferentes, entre as sete pesquisadas”, alertou o especialista. A inflação mais intensa medida pelo indicador partiu de aumentos de preços tão diferentes como energia elétrica (0,91%); serviços de reparo para residência (3,7%); e calçados (1,78%).

O avanço da taxa foi contido, em parte, pela desaceleração de preços dos alimentos, de março para abril (de 1,51% para 1,20%). Atualmente, a inflação dos alimentos está sendo puxada para baixo por produtos in natura mais baratos. Como o setor de alimentação responde por 40% do total do IPC-C1, a variação do indicador poderia ter sido mais intensa, não fosse o comportamento dos alimentos.

 

Fonte: O Popular