Setor contratou 124 mil, compensando dispensa de 120 mil em junho. Recuo no desemprego para 5,6% mostra estabilidade, diz coordenador

A indústria, que de maio para junho, demitiu 120 mil trabalhadores no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parece ter recuperado alguma força contratando 124 mil de junho para julho, conforme mostrou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira (21). Na comparação com julho de 2012, foram contratados 34 mil. 

A indústria paulista contratou 23 mil pessoas de junho para julho e no Rio de Janeiro, na mesma comparação, foram contratados 51 mil trabalhadores.

Para Cimar Azeredo, coordenador da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, ainda não se pode afirmar que a economia esteja dando sinais de aquecimento, uma vez que o recuo de 5,6% em julho na taxa de desemprego, contra 6% de junho, estatisticamente mostra um quadro estável.

Segundo a pesquisa, em 12 meses foram criados 339 mil postos de trabalho. Cimar ressalta um quadro favorável: a população ocupada cresceu 1,5% em um ano, mais do que o aumento vegetativo da população, 0,9%, comparado com julho de 2012, o que confirma a criação de postos de trabalho.

Em São Paulo, a taxa de desocupação caiu de 6,6% para 5,8% de junho para julho, o que para Cimar é relevante, apesar de ainda não influenciar o quadro de estabilidade nacional. A população ocupada aumentou em 114 mil comparando com junho, enquanto a população desocupada perdeu 82 mil pessoas.

Cimar concluiu que os desocupados de São Paulo de fato passaram a integrar a força de trabalho conquistando novos empregos. Isso porque a população não economicamente ativa, em que estão incluídos os que desistiram da procura de emprego, recuou 0,9%. Segundo o coordenador, a Região Metropolitana de São Paulo tem 40% de partucipação na PME.  

Domésticos em queda

Os serviços domésticos continuam no ritmo de queda em número de empregados: o mercado pedeu em 12 meses 93 mil profissionais. Cimar explica que os trabalhadores, principalmente os mais jovens, têm trocado o emprego doméstico por outras oportunidades de trabalho.

Outro ponto favorável da pesquisa de julho é o aumento de trabalhadores com carteira assinada, crescimento de 3,5% em relação a julho do ano passado, mostrando que, em 12 meses, mais 392 mil trabalhadores passaram a integrar  o mercado formal.

O rendimento médio de R$ 1. 848,40 está em seu quinto mês de queda consecutiva, segundo Cimar, por conta da inflação e da perda no poder de compra por outros motivos como correções menores ou redução salarial.

Criação de empregos

Apesar de a taxa de desemprego ter recuado em julho, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na quarta-feira (21) apontaram que a criação de empregos com carteira assinada no Brasil perdeu fôlego no mês passado.

Foram criadas, no mês passado, 41.463 novas vagas formais – uma queda de 70,9% em relação ao mesmo mês de 2012, quando foram criadas 142.496 vagas. De acordo com dados oficiais, o resultado do mês passado é o pior registrado para meses de julho desde 2003 – quando a abertura de vagas formais somou 37.233.

Fonte: G1