BC mostra desempenho dos setores econômicos da região Centro-Oeste nos dois primeiros trimestres no qual destaca recuos e avanços importantes

O Banco Central divulgou, ontem, em Belém (PA,) o boletim regional com dados e indicadores de cada região do Brasil. O Diário da Manhã divulga na íntegra a parte relativa ao Centro-Oeste, principalmente Goiás. Pelo boletim regional, a atividade econômica no Centro-Oeste moderou no trimestre terminado em maio, com crescimento na indústria extrativa e no comércio, e retração na indústria de transformação. “O IBCR-CO cresceu 0,5% no trimestre encerrado em maio, em relação ao terminado em fevereiro, quando havia aumentado 1,3%, no mesmo tipo de comparação, de acordo com dados dessazonalizados”, observa o boletim do BC.

De acordo com o levantamento feito pelo BC, a produção industrial no Estado de Goiás recuou 2% no trimestre encerrado em maio, em relação ao finalizado em fevereiro, quando houve aumento de 3,7%, nesse tipo de comparação, segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física – IBGE (PIM-PF)

Dados da Sondagem Industrial, realizada pela CNI, também indicam redução do ritmo da produção, com o indicador situando-se em 50,9 pontos em junho (55,2 pontos em maio e 46,8 pontos em junho de 2012). Os estoques de produtos finais encontram-se relativamente ajustados, 50,2 pontos (52,1 pontos em maio e 52,8 pontos em junho de 2012). O levantamento da sondagem ocorreu entre os dias 1 e 12 de julho.

No entanto, a sondagem da PIM-PF apontam diferentes crescimentos nos segmentos industriais. A produção da indústria extrativa cresceu 11,9% e a da indústria de transformação recuou 3,6%, influenciada pelas quedas respectivas de 2,4%, 4,4% e 4,7% nas indústrias alimentícia, de produtos químicos e de minerais não metálicos. O segmento metalurgia básica expandiu 3,6% no período.

O Icei/GO, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), atingiu 60 pontos em junho (61,1 pontos em março e 57 pontos em junho de 2012). Ocorreram, no trimestre, variações negativas de -2,1 pontos no Índice de Expectativas e de 1,4 ponto no Índice de Condições Atuais. Ressalte-se que a pesquisa de junho foi a campo entre os dias 03 e 13 do mesmo mês, não incorporando plenamente os impactos das manifestações de protestos ocorridos ao longo do mês.

DESACELERAÇÃO ECONÔMICA

De acordo com a conclusão do levantamento feito pelo BC, “a desaceleração recente da atividade econômica do Centro-Oeste refletiu, em especial, o menor dinamismo da indústria”. A despeito do recuo na margem dos indicadores de confiança, o desempenho da economia da região deverá ser favorecido, nos próximos meses, pelos ganhos da renda agrícola, com impactos relevantes sobre o comércio local e pelas vendas externas.

A análise em doze meses indica produção da indústria estável em maio (expansão de 2% em fevereiro), em relação a igual período de 2012. A produção da indústria extrativa recuou 0,9%, influenciada pela retração na exploração de amianto, e a indústria de transformação cresceu 0,1%, destacando-se os aumentos respectivos de 1,4% e 0,5% na produção nos segmentos metalúrgica básica e produtos químicos. A produção da indústria de alimentos, responsável por 49% do produto industrial do Estado, recuou 0,2% no período.

Produtividade tem balanços positivos

A safra de grãos no Centro-Oeste deverá totalizar 75,9 milhões de toneladas em 2013, de acordo com o LSPA de junho, do IBGE. A projeção de aumento anual de 7,2% considera crescimentos de 9,1% para a colheita de soja (com expansão de 12% na área plantada) e de 7,6% para a de milho. Em relação às demais lavouras, destaque para a projeção de aumento anual de 9,8% para a produção de cana-de-açúcar.

Os abates de bovinos em estabelecimentos fiscalizados pelo SIF (de 95% dos realizados na região) aumentaram 13% de janeiro a maio de 2013, em comparação a igual período de 2012, reflexo de crescimentos de 19,4% em Goiás; 11,6% no Mato Grosso do Sul; e 10,9% no Mato Grosso. Os abates de aves aumentaram 6,1% e os de suínos diminuíram 0,5%, no período.

Já em relação ao desempenho do comércio exterior, a balança comercial do Centro-Oeste somou superávit de US$ 7,6 bilhões nos seis primeiros meses do ano, aumentando 21,4% em relação a igual período de 2012, de acordo com o MDIC. As exportações e as importações somaram, respectivamente, US$ 14,8 bilhões e US$ 7,2 bilhões, elevando-se, na ordem, 17,8% e 14,2%. 

O desempenho das exportações decorreu de expansões de 12,7% no quantum e de 4,5% nos preços. As vendas de produtos básicos aumentaram 21,4%, com aumentos nas exportações de milho, soja, carne bovina e carne de frango. As exportações de produtos manufaturados elevaram-se 5%, repercutindo, sobretudo, aumentos das vendas de álcool etílico e de carne de peru. As vendas externas de produtos semimanufaturados recuaram 2,3%, impactadas pelas contrações nos embarques de óleo de soja em bruto, ferro-ligas, e de açúcar de cana em bruto.

A evolução das importações refletiu variações de 18,4% no quantum e -3,6% nos preços. As aquisições de matérias-primas cresceram 23,5%, destacando-se as de insumos para a agricultura e de produtos agropecuários não alimentícios. As compras de combustíveis e lubrificantes elevaram-se 18,6%, com ênfase nas relativas a gás natural. As importações provenientes da Bolívia, EUA, Alemanha, China, Coreia do Sul e Japão apresentaram, em conjunto, 63% das compras do semestre.

Vendas no varejo aumentam 1,6%

Nas avaliações que consideraram intervalos de 12 meses, o indicador do Índice Banco Central Regional (IBCR) cresceu 2,3% em maio, ante 2,6% em fevereiro. As vendas varejistas da região aumentaram 1,6% no trimestre encerrado em maio, em relação ao finalizado em fevereiro, quando haviam recuado 0,9%, neste tipo de análise. 

Houve aumento de vendas em Mato Grosso, 3,2%, no Distrito Federal, 2,0%, em Goiás, 1,5%, e no Mato Grosso do Sul, 1,3%. As vendas do comércio ampliado, agregando os segmentos automóveis, motos e peças e material de construção, aumentaram 2,7%, ante 0,7% no trimestre encerrado em fevereiro, resultado de expansões respectivas de 5,8%, 2,1%, 1,3% e 1,2% no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal.

A análise por ramos de atividade – a partir de estatísticas agregadas para o Distrito Federal e Goiás, unidades da federação na região para as quais são divulgadas estatísticas por segmento – revela aumentos nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (40,1%); tecidos, vestuário e calçados (6,2%); e material de construção (3,5%). Em oposição, as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuaram 1,7% no período.

Fonte: Diário da Manhã (GO)