A indústria brasileira operou abaixo do nível de atividade usual para o mês de fevereiro, indica Sondagem Industrial divulgada nesta terça-feira (22)  pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) atingiu 47 pontos no mês. De acordo com a CNI, é o terceiro mês consecutivo em que o resultado fica abaixo de 50 pontos, o que representa UCI aquém do normalmente registrado naquele mês.

“As medidas de restrição ao crédito tomadas pelo Banco Central no final do ano passado e o aumento da taxa de juros, bem como o anúncio do corte de gastos do governo, já se refletiram na demanda”, diz economista da CNI, Marcelo Azevedo.

O índice varia de zero a cem. Em janeiro, a UCI havia registrado 45,2 pontos e, em dezembro de 2010, 48,2 pontos.

Otimismo sobre futuro
Por outro lado, o levantamento revelou que a produção industrial cresceu na passagem mensal de 46 pontos em janeiro para 51 pontos em fevereiro. O resultado também ficou acima dos 50,8 pontos apurados no mesmo período do ano passado.

'A produção subiu pouco. O indicador continua próximo da linha divisória de 50 pontos', afirmou Azevedo. Já o nível de estoque alcançou 50,3 pontos, enquanto o índice de evolução do número de empregados foi de 50,7 pontos.

O economista, no entanto, ressaltou que os empresários estão otimistas com o desempenho da economia brasileira para alguns setores nos próximos seis meses. O indicador de expectativas sobre a demanda e a compra de matérias-primas medido em março, por exemplo, saltou de 61,3 pontos para 62 pontos.

A sondagem foi realizada entre os dias 28 de fevereiro e 15 de março, com 1.379 empresas.

Tombini diz que alimentos e serviços respondem por metade da inflação

Presidente do Banco Central participa de audiência na CAE do Senado. Ele diz que autoridade monetária está atenta a possível saída de recursos.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (22) que os preços dos alimentos, que sobem em todo mundo por conta da elevação dos preços das “commodities” (produtos com cotação internacional), juntamente com os preços do serviços – que avançam no Brasil em decorrência do crescimento da massa salarial – têm o peso de quase metade da inflação brasileira.

Segundo ele, os alimentos respondem por cerca de 25% da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), assim como os serviços. “Em um primeiro momento, não há o que fazer com relação ao choque de oferta. Mas, a depender do choque, deve ser tratado com as políticas macroeconômicas, para evitar que ele se propaguem na economia e passem para outros preços”, disse Tombini, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

O presidente do Banco Central informou que os preços dos serviços subiram 8,4% em doze meses no país, enquanto que os preços dos alimentos avançaram de 9% a 10% também em doze meses. “A política monetária [definição dos juros] é usada para conter os efeitos secundários no choque de oferta”, acrescentou Tombini.

Metas de inflação
Pelo sistema de metas de inflação, o BC tem de calibrar a taxa básica de juros da economia para atingir metas pré-definidas. Para 2011 e 2012, a meta central de inflação, tendo por base o IPCA, é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Deste modo, a inflação pode oscilar entre 2,5% e 6,5% nestes dois anos sem que a meta seja formalmente descumprida.

Neste ano, o BC já subiu os juros em duas oportunidades, em janeiro e março, para 11,75% ao ano, para tentar conter as pressões inflacionárias. Além disso, no fim do ano passado, subiu o compulsório, retirando R$ 61 bilhões da economia, enquanto o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento cortaram R$ 50 bilhões do orçamento de 2011.

Segundo cálculos do mercado, citados pela autoridade monetária, o aumento do compulsório equivaleu a um aumento de 0,75 ponto percentual nos juros básicos do país, enquanto que o corte de gastos teria correspondido à uma elevação de um ponto percentual na taxa Selic.

Eventual saída de dólares
O presidente da autoridade monetária afirmou ainda nesta terça-feira (22) na CAE do Senado Federal que a instituição está “alerta” com relação à possibilidade de reversão do fluxo de entrada de dólares no país, ou seja, com uma eventual saída de recursos do Brasil em busca de ativos considerados mais seguros – movimento que costuma acontecer em momentos de instabilidade da economia mundial.

“Tenho procurado, nestes dois meses e meio de gestão, ficar alerta em relação ao potencial que essa liquidez extraordinária não gere consequências e ponha em risco a estabilidade financeira da nossa economia. Temos atuado para evitar que essa sensação de ampla liquidez se traduza em riscos excessivos. Na hora da reversão, não esperamos nenhum problema. Estamos bastante atentos a isso. Quando a reversão vier, estaremos preparados. A regulação financeira é muito rigorosa”, acrescentou ele.

Fonte: G1.com