Produção subiu 0,6% e superou expectativa do mercado para o mês. Número corrobora previsões de que o País voltará a crescer no 4º trimestre

O susto com a queda mais intensa do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre se converteu ontem em alento graças ao crescimento de 0,6% da indústria de setembro para outubro. O desempenho, acima do esperado (as previsões iam de 0,1% a 0,5%), reforçou as expectativas de que a economia voltará a se expandir no quarto trimestre, ainda que num ritmo moderado.

O resultado da indústria em outubro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o primeiro indicador de como o PIB deve se comportar no quarto trimestre.

A previsões iniciais apontam para uma alta entre 0,5% ou 0,6%. Se confirmada, a taxa compensará a retração de 0,5% no terceiro trimestre, divulgada anteontem.

Outro dado favorável foi o terceiro mês seguido de crescimento da produção da indústria geral e de bens de capital – máquinas, equipamentos e veículos usados na fabricação e transporte de outros produtos são termômetro do ritmo do investimento.

PASSOS LENTOS

O números positivos não significam, porém, que a indústria navegue em mar calmo. O setor cresce a passos lentos em 2013 e a confiança reduzida de empresários e os juros altos podem segurar investimentos e consumo nos próximos meses.

De janeiro a outubro, a indústria teve uma alta acumulada de 1,6% e deve fechar 2013 num patamar semelhante de expansão, segundo analistas.

Os três meses em que a indústria acelerou a produção resultaram numa alta de 1,6%, insuficiente para compensar a perda de 2,3% de maio a julho – pior período do ano para o segmento.

“Houve uma melhora discreta, o que é favorável. Mas o crescimento da indústria é bastante tímido ainda e o setor evolui abaixo do PIB”, afirma José Kobori, economista do Ibmec.

Existem ainda desafios à frente. Um dos que mais preocupa são os estoques elevados, como o de automóveis e caminhões nos pátios das montadoras.

A retração do setor limitou a expansão em outubro, ao lado dos resultados ruins de alimentos, bebidas e produtos químicos – ramos de grande peso na conta da produção industrial.

Para Aurélio Bicalho, do Itaú, em algum momento haverá um freio na produção para reduzir os estoques. A intensidade dependerá do consumo e dos investimentos.

Juros elevados, endividamento crescente e otimismo reduzido de empresários seguram consumo e investimentos e podem impedir uma recuperação mais firme no fim de 2013 e início de 2014.

 

Fonte: O Popular