Em julho, as vendas do setor em Goiás registraram crescimento em todas as bases de comparação

Apesar dos rumores sobre uma possível desaceleração, o faturamento da indústria goiana surpreendeu o mercado e abriu o segundo semestre do ano com expansão. As vendas do setor cresceram em julho 6,49% em relação ao mesmo período de 2011, dando sinais de que deve chegar até o fim do ano em plena forma.

Os dados são da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O comportamento positivo deste indicador, que analisa a destinação final dos itens produzidos pela indústria, revela que as sazonalidades típicas de julho não abalaram o desempenho do setor.

As vendas, pelo contrário, foram bem em qualquer base de comparação. Em relação a junho (mês anterior), o crescimento foi de 1,92%. No acumulado do ano (janeiro a julho), teve um avanço de 3,67%. Para analistas, a indústria goiana está vendendo mais atualmente por conta de uma estratégia tomada pelo setor em janeiro.

Diante da retração de investimentos da indústria nacional deste o início do ano, a indústria local seguiu o caminho contrário. Aproveitando a queda do dólar, investiu em maquinários, em tecnologia e contratações. Como resultado, está produzindo mais, com preços mais em conta e faturando como nunca.

O mercado, entretanto, não esperava que esta manobra tivesse efeito agora. Até porque os investimentos em equipamentos e pessoal, geralmente, demoram a dar retorno. Assim, após as vendas avançarem mais de 3% no primeiro semestre, a expectativa era de que no segundo houvesse uma diminuição do ritmo.

O economista da Fieg, Cláudio Henrique de Oliveira, lembra que o temor das incertezas internacionais, que era apontado como outro fator para um possível desaquecimento da indústria a partir do segundo semestre, não repercutiu aqui como na indústria nacional de bens de capital.

Ele aponta ainda a diversificação da base produtiva no Estado como outro fator para o incremento. “Observa-se que a agroindústria vem tendo destaque no cenário nacional, porque vem garantindo a expansão da atividade industrial local, se considerarmos a situação de outros Estados.”

Contribuição

Os setores que mais contribuíram para o crescimento das vendas foram o de confecção, com expansão de 28%, e metalurgia básica (20,28%). Embora a expansão do primeiro tenha sido maior, o peso do segundo segmento industrial foi mais decisivo.

As confecções venderam e empregaram mais em julho por conta da troca das coleções. Normalmente, neste período do ano, as peças da moda outono-inverno são trocadas pelas da primavera-verão. Este movimento faz os indicadores do setor sofrerem aumentos consideráveis.

Com a metalurgia o processo não é sazonal. O resultado positivo indica que a economia como um todo vai bem. Os bens produzidos pela indústria são consumidos pela construção civil, pelo cliente final e por todos os segmentos industriais. Na prática, se as vendas da metalurgia estão em alta, o consumo segue a plenos pulmões.

O diretor comercial da Metalforte, empresa especializada na produção de estruturas, tubos e telhas metálicas, Tarcísio Pompeu de Pina, é um exemplo deste processo. Ele explica que, apesar dos investimentos internos, o mercado foi quem mais contribuiu para o avanço de 15% no faturamento de sua empresa.

Segundo ele, a construção civil continua aquecida. Na parte do consumo final, facilidade de financiamento fez que a procura por produtos para reforma e construção tivesse incremento.

Fonte: O Popular (GO)