Em 2013, a indústria fechou vagas pelo segundo ano seguido, mas melhorou sua produtividade, ajustando-se ao cenário de consumo mais fraco, juros maiores e perspectivas ruins para 2014 com o corte de horas trabalhadas.

Com custos altos de rescisões e a competição por mão de obra com outros setores mais dinâmicos (construção e serviços, por exemplo), foi mais fácil cortar horas extras, usar o banco de horas e conceder férias coletivas do que acelerar as demissões.

Desse modo, a indústria conseguiu produzir mais, com um número menor de empregados e reduziu custos com horas extras.

Tal conjuntura surge dos dados do emprego do setor, divulgados ontem pela Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de trabalhadores da indústria caiu 1,1% em 2013, retração um pouco menor do que a de 2012 (1,4%).

O emprego destoou da produção, que subiu 1,2% em 2013 – porcentual, porém, que não recuperou o tombo de 2,5% em 2012.

“As empresas evitaram mais demissões, que têm um custo elevado, com o corte das horas pagas (1,3% em 2013) e houve ganho de produtividade principalmente porque a produção cresceu”, diz Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria.

O economista calculou, com base nos dados do IBGE, a produtividade da indústria e constatou uma alta de 2,4% em 2013, após queda de 0,6% em 2012 – limitada sobretudo pela produção em queda no ano retrasado.

Por outro lado, diz Bacciotti, o emprego não cresce porque as perspectivas para a economia, o consumo e a própria indústria não são alentadoras. Analistas esperam um crescimento do PIB pouco inferior a 2,5% em 2013 (o dado será divulgado em março) e na faixa de 2% em 2014.

OBSTÁCULOS

Fernando Abritta, economista do IBGE, cita entre as travas ao emprego e a uma retomada firme da produção as taxas de juros em ascensão, a inflação acima do centro da meta do governo – principalmente a alta de alimentos superior à média, o que limita “a renda disponível” das famílias para outros gastos -, o crédito em desaceleração e o ainda elevado endividamento dos consumidores. “Com tudo isso, a confiança dos empresários cai, o que rebate no emprego.”

Os dados mostram também que o emprego na indústria teve uma queda generalizada em 2013, alcançando a maior parte de setores e regiões pesquisadas pelo IBGE. Os setores que mais dispensaram trabalhadores foram o de calçados e couro, outros produtos da indústria de transformação, máquinas e equipamentos, vestuário, produtos têxteis, produtos de metal e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações.

Fonte: O Popular