De acordo com a pesquisa da CNI, o faturamento real do setor recuou 2,4%

A indústria ainda não dá sinais nítidos de recuperação no segundo semestre, divulgou nesta quarta-feira a CNI (Confedereação Nacional da Indústria). Os indicadores de julho vieram com sinais contraditórios, segundo a instituição.

De acordo com a pesquisa da CNI, o faturamento real do setor recuou 2,4% naquele mês ante junho, já considerando fatores sazonais. As horas trabalhadas também caíram 0,3% na mesma base de comparação. Na avaliação da confederação, esse indicador revela uma dificuldade do setor para entrar em trajetória de recuperação.

Por outro lado, o emprego industrial teve uma pequena alta de 0,2% em julho, mas foi a terceira expansão seguida.

A capacidade instalada em utilização pelo setor também avançou, passando de 80,7% em junho para 81,6% no mês seguinte. Segundo Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de políticas econômicas, esse aumento não foi disseminado, mas foi puxado por segmentos de maior peso na indústria, como o automotivo e o de alimentos e bebidas.

A indústria automotiva está se recuperando devido ao forte aumento de vendas que se seguiu à redução do IPI cobrado sobre veículos. Apesar disso, a atividade do segmento continua abaixo do verificado um ano antes.

Já o setor de bebidas e alimentos vem mostrando mais resistência à crise econômica, refletindo o aumento da renda da população, que está se alimentando mais.

“Os dados não permitem caracterizar uma tendência clara de recuperação. Esses sinais são ambíguos”, disse Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de políticas econômicas.

“Esse conjunto de informações mostra talvez um quadro de transição. Num quadro de transição, nós não temos todos os sinais na mesma direção”, acrescentou.

Segundo Castelo Branco, o cenário macroeconômico mais favorável, com taxa de câmbio mais desvalorizada e juros mais reduzidos, somado às medidas do governo para estimular o consumo e o investimento, cria uma expectativa de uma recuperação gradual da economia, principalmente nos meses finais deste ano.

Apesar do ritmo de atividade fraco da indústria, os salários pagos continuam em alta. O crescimento do rendimento real dos trabalhadores em julho ante junho foi de 3,4% acima da inflação, mas esses dados não são dessazonalizados.

Na comparação com julho de 2011, o aumento foi de 4,3%. A expansão dos salários, porém, perde fôlego há três meses na comparação anual.

Fonte: Folha.com