Mais de dez horas. Esse foi o tempo necessário para que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovasse, nesta quarta-feira, 27 de agosto, a indicação de Rodrigo Janot a mais um mandato à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante esse tempo, os integrantes da CCJ sabatinaram o chefe do Ministério Público (MP), que teve o nome indicado pela presidente Dilma Rousseff.

Dos 27 senadores titulares da comissão, apenas um votou contra a recondução do procurador-geral a mais dois anos de mandato. Agora, a indicação precisa ser aprovada no plenário do Senado com, ao menos, 41 votos dentre os 81 parlamentares. 

Lava-Jato

À frente da Operação Lava-Jato, que trata do esquema de corrupção na Petrobras, Rodrigo Janot enfrentou, entre os componentes da CCJ, dez dos 13 senadores investigados, sendo oito titulares e dois suplentes. 

Denunciado por Janot em um dos processos da Lava-Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, Fernando Collor de Melo questionou o procurador sobre um aluguel, no valor de R$ 67 mil, de um imóvel sem alvará, durante sua administração na PGR e de advogar quando já estava nos quadros do MP.

Collor também o acusou de ter contratado sem licitação uma empresa de comunicação e de ter abrigado um irmão procurado pela Interpol e não ter enviado todas as informações sobre isso para a CCJ. O chefe do MP negou as acusações e se recusou a falar sobre o irmão, que, segundo ele, morreu há cinco anos e não poderia se defender.