Segundo o secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), João Vicente da Sylva Cayres, a participação de tributos no preço dos carros no Brasil é de 30%. O peso da carga tributária é quase duas vezes maior do que em veículos vendidos na Alemanha, França Reino Unido e Espanha (17%). No Japão, impostos respondem por 9% do preço de um veículo, enquanto nos Estados Unidos essa participação é de 6%, segundo Cayres.

O sindicalista também disse que, no Brasil, o preço de um automóvel se divide da seguinte maneira: compra de materiais e componentes (50%), peças de reposição (12%), mão de obra (8%), despesas com vendas (4%), propaganda (3%), fretes (1,6%), água e energia elétrica (0,3%), além dos tributos (30%).

Lucro
De acordo com o presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, somando os impostos indiretos, metade do valor do veículo seria referente aos custos de produção no Brasil. A outra metade diz respeito aos salários da cadeia produtiva e à margem de lucro das montadores.

“A margem de lucro praticada no Brasil é até menor que a margem mundial. Na média dos últimos nove anos, no Brasil tivemos uma lucratividade de 2,9% sobre o faturamento, enquanto internacionalmente essa margem é de 3,1%”, disse Moan.

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Antônio Meneghetti, disse que a tributação sobre o setor é o maior problema para a formação do preço final de um automóvel. Apesar da isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) promovida pelo governo federal entre maio de 2012 e dezembro de 2013, Meneghetti ressaltou a incidência de tributos como PIS/Confins e ICMS sobre os carros.

“O governo federal deixou de arrecadar R$ 5 bilhões de IPI, mas ganhou R$ 5,6 bilhões em PIS/Cofins, R$ 6 bilhões em ICMS e R$ 1,5 bilhão de IPVA. Saldo líquido: o Brasil arrecadou mais de R$ 8 bilhões nesses 19 meses”, afirmou.

Fonte: OlharDireto