Depois da alta do dólar, um novo golpe atinge consumidores e empresas que compram produtos importados. Na quarta-feira (27) o Senado aprovou a Medida Provisória 668/15, que aumenta o imposto sobre a importação. O projeto é a última parte do ajuste fiscal do Governo Federal e tem o objetivo de incentivar a indústria nacional, corrigir impostos e, principalmente, aumentar a arrecadação do país.

As alíquotas das duas contribuições incidentes sobre as importações, o PIS/Pasep e a Cofins, subiram de 9,15 para 11,75%. Mas alguns produtos tiveram um aumento diferenciado, como alguns produtos farmacêuticos – como perfumes e maquiagens – que vão passar a cobrar 15,79% de imposto (veja quadro acima).

Com as mudanças aprovadas, a União espera arrecadar R$ 694 milhões a mais ainda esse ano e espera receber um extra de R$ 1,19 bilhão em 2016. Para o advogado tributário e diretor da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Thiago Miranda, a medida vai ajudar a indústria nacional a ter competitividade, mas o comércio e o consumidor serão afetados.

“Para o consumidor e para o comércio vai ficar mais caro, mas é isso que o governo quer: induzir a comprar no mercado nacional,” avalia o advogado.

Dólar também influencia

O projeto, que agora segue para a sanção presidencial, foi aprovado diante de um cenário negativo para a importação, que já tem sofrido desde o início do ano por causa da alta do dólar. A situação atual é bem diferente da que o empresário Marcos Ávila encontrou há 10 anos, quando montou a sua primeira loja Casa China Brasil em Goiânia.

Ávila explica que, na época, os preços dos artigos chineses eram bem atrativos e havia muitas facilidades para a importação, tanto que ele conseguiu abrir mais duas lojas. Mas hoje, a situação é bem diferente. “Está muito difícil importar, tem muita burocracia. Estou com dois containers parados no porto de Santos por conta desse impasse do imposto. Nós não estamos comprando nada da China até essa questão se normalizar.”

Já a professora Bruna Aidar não compra nada de fora do país desde o início do ano, quando ela sentiu a alta do dólar. “A maioria das coisas não está compensando por causa do dólar. Agora eu vou diminuir as compras e vou continuar comprando só as coisas que eu não encontro aqui,” lamenta ela.

A dona de casa Tatiana Machado também não gostou nada do aumenta. Ela, que costuma comprar roupas, perfumes e eletrônicos nos Estados Unidos, agora vai comprar lá fora só o que for essencial. “Os produtos importados tem uma diferença de qualidade muito grande. Agora só vou comprar coisas para os meus filhos. Deles eu não abro mão.”

Cerveja também vai subir de preço

Outro segmento que sofrerá o impacto negativo da aprovação da MP 668/15 é o das cervejarias. Depois de sofrer com a crise econômica atual, que tem afastado os clientes, os bares agora temem uma queda ainda maior nas vendas com o aumento do imposto, que vai deixar a cerveja importada mais cara.

Segundo Adriano Reis, o proprietário do Rash Bier, um dos maiores bares de cervejas especiais de Goiânia, a mudança prejudica todos que dependem da importação e vai obrigar os donos de bares a repensar o cardápio. Com o aumento, ele explica que vai ficar inviável trazer determinadas cervejas de fora do país para Goiânia por causa do custo. “Nós vamos acabar por deixar de trabalhar com determinados produtos, mas vamos tentar trazer novidades sempre e que tenha um custo benefício melhor para o cliente.”

Para o advogado tributário e diretor da Acieg, Thiago Miranda, o empreender vai ter que ser criativo para se adequar a nova realidade do mercado. “É fazer migração ou aumentar o mix de produtos. O empreendedor precisa passar por essa situação sem perder mercado,” orienta.

Fonte: O Hoje