Paralisação não tem apoio do Sintego, que afirma negociar com Secretaria Municipal de Educação

A greve da Rede Municipal de Educação de Goiânia começa com uma divisão. Os servidores que aprovaram a greve, durante assembleia ontem pela manhã, em frente à Catedral Metropolitana, fazem parte do Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (Simsed). O movimento não é aprovado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), representante legal da categoria, mesmo perante a Secretaria Municipal de Educação (SME).

Hoje, as unidades que compõem a rede municipal receberão visitas de servidores ligados ao Simsed e ao Sintego. Os primeiros para falar sobre a greve e os outros, sobre a negociação em curso na SME. O Simsed ainda não possui registro no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O Sintego e a SME se reuniram na semana passada para discutir, principalmente, o Projeto de Lei (PL) do Paço Municipal a respeito do programa Difícil Acesso, que gera auxílio de locomoção aos servidores da rede. A proposta não foi aceita e o PL, que diminui o benefício dos professores de cerca de R$ 320 para R$ 160, foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal, na sessão de ontem. A diminuição se baseia na existência do programa Ganha Tempo para o transporte coletivo, em que uma mesma passagem pode ser usada por até três vezes em duas horas e meia, e, por isso, o custo do Difícil Acesso poderia ser reduzido.

Para os grevistas, o PL representa o fim do benefício e, logo, foi a gota d’água para que houvesse a assembleia geral na manhã de ontem. O professor Marcos Alves Lopes, da Escola Municipal Geraldo de Aquino, afirma que o movimento recebeu a assinatura de 1.500 servidores municipais da educação que aderiram à greve. Os grevistas informam que o novo PL é só um dos problemas que a educação municipal enfrenta.

A reportagem tentou contato com a SME durante toda a tarde de ontem, mas até o fechamento desta edição não recebeu qualquer resposta da secretaria. Os grevistas anunciaram que não aceitarão o corte de ponto e que não vão repor as aulas se isso ocorrer, o que traria problemas ao calendário escolar.

Coordenadora do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professora Darli, no Setor Urias Magalhães, Heliany Wyrta de Oliveira, afirma que a diretoria da SME tem sido autoritária e define suas ações sem ouvir os trabalhadores. Um dos grandes problemas apontados pelos profissionais da educação municipal é a falta de conhecimento sobre as negociações feitas pela SME com o Sintego.

 
Fonte: O Popular