A servidora pública Rosimeire Caetano não teve onde deixar o filho na manhã de ontem. O Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), que funciona no Instituto Santa Mônica, no Parque Atheneu, não estava aberto. O motivo é a retomada da greve dos servidores municipais de Educação deflagrada no ano passado. O motivo da volta da paralisação é o não atendimento de reivindicações acertadas em outubro do ano passado com a Prefeitura. Os grevistas também exigem a revogação do decreto do prefeito Paulo Garcia que congelou por seis meses benefícios aos servidores.

Embora tenha causado transtornos para a rotina de Rosemeire, a paralisação, segundo ela, é justa. “Caso a greve se estenda, vou ter que me virar. Mas é um direito deles exigir melhores condições de trabalho”, diz a mãe que teve de deixar o filho com parentes.

A greve trouxe também transtornos para o servente de pedreiro José Freire que não tem onde deixar a neta. Os pais da criança passam por problemas de saúde e, com o CMEI fechado, terá que cuidar da criança. “Está muito difícil. Tenho que trabalhar e não tenho onde deixar a criança. Quem vai olhar ela agora?!”, questiona.

Segundo números repassados ontem pelo Comando de Greve, mais de 100 escolas, total ou parcialmente, em toda Goiânia aderiram à paralisação. O que totalizaria pelo menos 80 mil alunos atingidos. Já a Secretaria Municipal de Educação (SME) informa que somente 69 das instituições teriam aderido.

Na tarde de ontem, a titular da SME, Neyde Aparecida, e os secretários de finanças, Jeovalter Correia; de administração, Paulo César Fornazier, se reuniram com chefes de unidades educacionais e grevistas para tentarem um acordo. Eles demonstraram a situação econômica da Prefeitura para justificar o decreto do prefeito Paulo Garcia que congelou a aplicação dos planos de cargos de salários até novembro.

 

Cortes

Segundo Renato Regis, membro do comando de greve, a paralisação deve continuar já que a Prefeitura não cumpriu nenhum acordo, nem com os professores, nem com os auxiliares. “A tendência é seguir parando as escolas. Nosso prazo é duas ou três semanas. Se não resolver, tomaremos medidas mais drásticas”, afirma.

O servidor ainda afirma que a Prefeitura penaliza a categoria por erros e má gestão administrativa. Segundo ele, com a suspensão da licença prêmio, gratificação e data base, o prefeito ampliou ainda mais a pauta de reivindicações do ano passado, que resultou numa greve de 26 dias. “Eles querem cortar por baixo: gratificações de funcionários que ganham um salário mínimo. Não querem cortar salários do alto escalão”, diz.

 

Regência

A secretária municipal de Educação, Neyde Aparecida, confirma que dois pontos das exigências dos grevistas não foram atendidos. Um deles é a incorporação da regência para efeito de aposentadoria. Ela explica que o benefício dependia de estudos de cálculos atuariais e que a proposta está pronta, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a implantação. Segundo Aparecida, o prefeito mostrou de forma transparente a situação financeira do município, que inviabilizaria o atendimentos das reivindicações.

Sobre a suspensão dos benefícios, a secretária afirma que a Prefeitura tomou as medidas para sanar o déficit orçamentário e, assim que ocorrer, os benefícios suspensos serão pagos, com retroatividade.

Fonte: O Hoje