Não há sinais de que as greves dos bancários e nos Correios acabem até o meio desta semana

Não há sinais de que as greves dos bancários e nos Correios acabem até o meio desta semana. Já são quatro dias de greve dos bancários e dois dos funcionários dos Correios que têm afetado os serviços em todo o país.

Enquanto os Correios tentam na Justiça garantir o dissídio coletivo para seus funcionários, como fez em 2011, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), sindicato que representa as instituiçoes financeiras, se nega a se reunir com os grevistas e apresentar nova proposta.

O Correios diz que 11,2 milhões de cartas e encomendas (16% das correspondências) não foram entregues no prazo estipulado nos dois primeiros dias de paralisação e, por isso, realizou um mutirão no fim de semana para colocar em dia as entregas.

Para conseguir regularizar seu cronograma, a estatal diz estar realocando empregados das áreas administrativas, contratando trabalhadores temporários e oferecendo horas extras aos funcionários que não aderiram ao movimento.

A paralisação da categoria, deflagrada por 25 dos 35 sindicatos regionais, deve continuar até a decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) –o que só deve acontecer no começo de outubro, na semana que vem (veja abaixo). Os dez sindicatos de base restantes decidirão até a próxima terça-feira (25) se aderem à paralisação.

Após tentativa frustrada de conciliação na quarta-feira (19), tribunal determinou que ao menos 40% dos trabalhadores da estatal trabalhem durante a greve. Caso descumpra a orientação, a Fentact (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares), sindicato que representa os grevistas, receberá multa diária de R$ 50 mil.

Os Correios dizem que o movimento atingidu apenas 9% dos funcionários –10.938 dos 120 mil empregados– nos dois primeiros dias, mas a paralisação já causou a suspensão dos serviços com hora marcada –Sedex 10, Sedex 12, Sedex Hoje e Disque-Coleta– para a cidade de São Paulo e a região metropolitana, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Tocantins e o SEDEX Hoje e o Disque-Coleta para o Rio de Janeiro.

BANCÁRIOS

A greve dos bancários, que começou na terça-feira (18), ganhou força ao longo da semana. Enquanto a adesão foi de 5.132 agências e centros administrativos (24% das 21.713 localidades em todo o país) no primeiro dia de paralisação, esse número cresceu 77% e chegou 9.092 locais (42%) no 4º dia de greve, segundo o sindicato da categoria.

O sindicato da categoria disse, na sexta, que os bancos perderam mais uma oportunidade para retomar as negociações e apresentar nova proposta, ignorando a presença do comando nacional da greve –que se reuniu em São Paulo.

O comando nacional orientou os representantes dos sindicatos de todo o país a intensificarem a mobilização nas bases para forçar a Fenaban a romper o silencio e retomar as negociações.

Na quarta, diante do silêncio da Fenaban, o presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e coordenador do comando nacional dos bancários, Carlos Cordeiro, disse que a paralisação iria se estender até a próxima semana. “A possibilidade de a greve acabar nesta semana é nenhuma.”

Cordeiro disse à Folha que, a partir do momento em que a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) convocar os grevistas para uma nova rodada de negociação, será necessário chamar o comando nacional após o encontro, para apresentar a proposta, e então realizar as assembleias locais.

Assim, a paralisação só acabaria, na melhor das hipóteses, dois ou três dias após a convocação do sindicato dos bancos.

 

Fonte: Folha de São Paulo