Dados do Caged também apontam o Estado como quinto maior na geração de empregos no País, ao criar 17.146 novos postos de trabalho com carteira assinada no mês de abril

O auxiliar de produção Brian dos Santos Lima, 22, passou nove meses fora de Goiânia sem trabalhar, mas não teve dificuldade em encontrar emprego ao voltar para a capital. Mesmo com o pouco nível de escolaridade (possui apenas o ensino fundamental incompleto), foi contratado em abril logo na primeira vaga em que se candidatou, numa fábrica de produtos de limpeza. A história do jovem reflete o bom desempenho de Goiás na geração de empregos no mês passado, quando foram criados 17.146 novos postos de trabalho com carteira assinada.

Os dados de abril do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram Goiás em quinto lugar no País, na quantidade de novas vagas formais, atrás apenas de São Paulo (85.346), Minas Gerais (28.886), Paraná (20.923) e Rio de Janeiro (18.541). Além disso, o Estado goiano foi o que apresentou a maior taxa brasileira de crescimento de empregos de março para abril (1,54%).

Desde 2003, quando foi iniciada a série histórica do Caged em Goiás, este é o segundo melhor resultado para o mês de abril; o primeiro foi em 2010, quando foram gerados 17.171 novos postos de trabalho. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2012, já são 55.210 empregos (5,12% a mais do que o mesmo período de 2011). Os dados do Caged são relativos ao saldo entre a quantidade admissões e demissões.

SETORES

O setor industrial químico-farmacêutico foi o que mais abriu postos formais de trabalho no mês passado em Goiás (4.374). Também se destacaram a indústria de produtos alimentícios (2.176) e a construção civil (4.199). “Juntando todos estes valores, podemos considerar que só a indústria criou quase 11 mil empregos em abril”, esclarece o coordenador-técnico da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Welington Vieira.

Segundo o coordenador, o bom desempenho das indústrias não causam surpresa, já que, sazonalmente, entre março e setembro de cada ano, as empresas apresentam crescimento forte e contínuo de produção. Ele explica que, no caso da indústria químico-farmacêutica, o aumento de vagas é consequência principalmente da migração, de outros Estados para Goiás, da linha de produção de grupos nacionais e internacionais produtores de fármacos, que se uniram a laboratórios goianos.

Algumas empresas de pequeno porte também afirmam o aumento de contratações nos últimos meses. Segundo o gerente de produção da Kijoia Produtos de Limpeza, Valdivino Nascimento da Paixão, somente este ano, o quadro de funcionários da indústria cresceu 10%.

Já o bom resultado da indústria de alimentos, na análise de Welington, se deve principalmente à produção de açúcar do setor sucroalcooleiro, que aumentou as contratações para o início da safra da cana-de-açúcar. Em relação à construção civil, conforme análise do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás (Sinduscon), parte do crescimento se deve à estabilidade do clima, já que a estiagem favorece a realização das obras particulares e também de infraestrutura.

“No caso do bom resultado da construção civil, é importante frisar que ela tem um grande efeito multiplicador sobre outros setores, como o de cerâmica e estruturas metálicas”, destaca o coordenador da Fieg.

Para o pedreiro José Alves Lima, 34 anos, o bom momento da construção civil reflete na melhoria de sua renda. Ele trabalhava nas obras de uma casa, antes de ser contratado, em abril, para a execução de um prédio no Setor Bueno, onde ganha cerca de R$ 2,5 mil. “Eu saí de um emprego e já fui para outro. Não faltam vagas na minha área”, diz José Alves, que trabalha há oito anos como pedreiro e pretende fazer cursos para chegar ao posto de mestre-de-obras.

A falta de qualificação é, aliás, o motivo de muitas empresas importarem profissionais de outros estados, segundo Welington Vieira. “Há muitas vagas que não são preenchidas por falta de gente qualificada. Temos cursos até de graça no Senai, mas as pessoas nem sempre se interessam”, conclui.

NO PAÍS

A criação de empregos com carteira assinada caiu 20% no primeiro quadrimestre, na comparação com o mesmo período de 2011.

Entre janeiro e abril deste ano, a diferença entre contratações e demissões resultou na geração de 702.059 postos de trabalho formais, segundo dados do Caged.

Apenas em abril, foram criadas 216.974 novas vagas, menor resultado para o mês desde 2009, quando o emprego sofria reflexos da crise de 2008. A criação de 1,7 milhão de empregos formais nos últimos 12 meses ainda está abaixo da previsão do governo de chegar a 2 milhões neste ano.

Fonte: O Popular (GO)