O desempenho positivo na produção de alimentos, biocombustível e minérios durante o mês de maio foi o que mais ajudou a indústria goiana a ocupar o segundo lugar do País no ranking de crescimento do volume de fabricação. Comparado a abril, a atividade avançou 2,1% e, em relação a maio do ano passado, o aumento foi de 4,2%, resultados que ficam atrás apenas dos registrados pelo Estado do Pará e bem acima das médias nacionais, que ficaram negativas (-0,6% e -3,2%, respectivamente).

No entanto, os dados não parecem tão otimistas quando se analisa um período maior. Conforme pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado do ano, entre janeiro e maio, a taxa de crescimento da indústria estadual foi de apenas 0,2%. Para o economista da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Cláudio Henrique de Oliveira, o resultado reflete um conjunto de incertezas econômicas e políticas sobre o ano de 2014. Ao menos cinco fatores contribuem para esse cenário. A alta inflação e o endividamento contribuem para reduzir o consumo das famílias, afetando diretamente a produção. As altas taxas de juros, que elevam o custo do capital, também impedem que os industriais façam novos investimentos para melhorar a produtividade no setor.

O fato de ser um ano de eleições também reduz a confiança do empresário. Até mesmo a recuperação da economia dos Estados Unidos interfere no fluxo comercial e cambial, lembra o economista. “Por todas estas variáveis, percebemos uma clara diminuição de ritmo da atividade industrial este ano, com crescimento menor que o de 2013, como já prevíamos”, diz.

Nessas condições, Goiás ainda se beneficia por ter uma indústria focada no agronegócio, com base em alimentos e biocombustível, produtos com demanda de consumo constante, além dos minérios – sem falar na indústria química de medicamentos e cosméticos.

ATIVIDADES

As indústrias alimentícias recuperaram o saldo negativo de abril e cresceram 6,4% sobre maio de 2013. Os produtos que mais se destacaram foram açúcar, extrato, purês e polpas de tomate, óleo de soja refinado e leite longa vida. As usinas de biocombustível também deram um salto de 7%, devido à fabricação de etanol, e as empresas de extração de minérios avançaram 14,6%, devido ao cobre e às pedras calcárias para fabricação de cal e cimento.

Conforme dados dos sindicatos de Fabricação de Etanol (Sifaeg) e de Açúcar (Sifaçúcar) de Goiás, em maio, as usinas moeram 15,7% a mais de cana-de-açúcar, o que resultou num crescimento de 7,81%, na fabricação de açúcar, e de 12,75%, na do etanol. Segundo o presidente das duas entidades, André Rocha, Goiás destoa da realidade nacional, que teve atraso e quebra de safra.

Entretanto, os usineiros não estão otimistas com os resultados já que, apesar do aumento produtivo, houve uma redução no rendimento industrial e os preços de mercado estão aquém da expectativa dos empresários. O diretor-presidente da Jalles Machado, Otávio Lage de Siqueira Filho, explica que o aumento na produção de açúcar e etanol é resultado do trabalho ininterrupto de moagem e processamento feito pelas empresas durante a safra. “Com isso, a produção aumenta e o preço no mercado cai”, afirma.

A política econômica também é criticada por André Rocha, que aproveita o tema do momento (futebol) para fazer uma análise comparativa. “Assim como o Brasil na Copa, o governo está atuando no improviso, tomando medidas depois que surgem os problemas, que são sistemáticos, coletivos e dependem de uma política mais estruturada.”

Fonte: O Popular