Empregos formais no Estado sobem de 1,2 milhão em 2009 para 1,3 milhão em 2010, alta de 8,6%

Lúcia Monteiro

O bom desempenho de setores como comércio, serviços e construção civil fez o número de empregos formais em Goiás saltar de 1,209 milhão em 2009 para 1,313 milhão em 2010, um crescimento de 8,6%. As 104.331 carteiras assinadas a mais no ano passado, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), são reflexo do crescimento da economia, da renda e do crédito, que elevou a demanda por vários serviços e produtos.

A Rais abrange a geração de empregos formais celetistas e vínculos estatutários (servidores públicos), avulsos, temporários, dentre outros, segundo remuneração, grau de instrução, ocupação e nacionalidade. A Rais é o instrumento do governo utilizado para identificar os trabalhadores com direito ao recebimento do benefício do Abono Salarial. Ela é mais abrangente que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho, que considera apenas o emprego celetista informado pelas empresas.

Só no setor de serviços, foram abertos 26.771 empregos formais no Estado ao longo de 2010, elevando o estoque de empregos formais nessas empresas para 344.557. Outros 26.228 postos de trabalho foram abertos pelo setor de comércio, um incremento de 11,6% em relação a 2009. A remuneração média dos trabalhadores evoluiu menos: saltou de R$ 1.393,10 em 2009 para R$ 1.426,67 em 2010.

Para a presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado (Acieg), Helenir Queiroz, isso é resultado do desenvolvimento econômico de Goiás, que aumento a renda e a demanda por produtos e serviços. Ela lembra que é visível a maior demanda por bares e restaurantes, clínicas e salões de beleza, hotelaria e empresas de Tecnologia da Informação (TI). “A vinda de mais empresas para o Estado gerou mais empregos e elevou a renda média da população, que passou a demandar mais por produtos e serviços em várias áreas”, explica Helenir.

O empresário João Luís Antoniazzi de Azevedo percebeu o aumento das oportunidades em Goiânia, com o crescimento do emprego e da renda, e decidiu abrir uma pizzaria de alta qualidade na cidade. Ao longo do ano passado, ele contratou 33 empregados efetivos, entre pessoal para cozinha, garçons e entregadores, e ainda conta com mais 12 temporários que reforçam a equipe em épocas de maior movimento.

Mas o maior crescimento de geração de empregos em Goiás aconteceu na construção civil, que saltou de 64,8 mil para 76,5 mil empregos formais em 2010, uma expansão de 17,9% no período. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado (Sinduscon-GO), Justo de Oliveira, diz que o bom desempenho na geração de empregos foi provocado pelo aumento da oferta de crédito para o setor imobiliário, que motivou a construção de imóveis no Estado.

Só no ano passado, foram 76 lançamentos, sem falar nos investidores avulsos, que também descobriram uma oportunidade de ganhos no mercado imobiliário. O resultado, lembra Justo, foi o aumento da demanda por mão-de-obra para o setor, o que aumentou a dificuldade das empresas em contratarem trabalhadores especializados. “Vamos começar uma campanha para atrair pessoas da sociedade para a construção civil, oferecendo treinamento.”

País atinge 44 milhões de vagas

 

Brasília- O Brasil atingiu no final do ano passado a marca inédita de 44,068 milhões de trabalhadores formais em atuação. Apenas em 2010, foram criados 2,86 milhões de novos postos de emprego com vínculo já descontadas as demissões, também um recorde para o País. Apesar de suntuoso, o volume não chegou aos 3 milhões de novas vagas que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, previu no início do ano para o resultado de 2010.

Na ocasião, dados preliminares registravam a inclusão de 2,52 milhões de trabalhadores com carteira assinada em 2010 e a perspectiva era de que o número crescesse com a inclusão dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que inclui também estatutários e conta com números mais atualizados.

Projeção
Essa mudança acontece porque muitas empresas demoram a informar ao governo a movimentação de seus funcionários. Hoje, Lupi negou que tivesse feito a projeção para 2010, já que, por conta da eleição, há proibição de concurso público, contribuindo para um saldo menor de empregos. Ele reafirmou, porém, que espera o ingresso de mais 3 milhões de trabalhadores no mercado em 2011.

Mesmo assim, a estimativa do ministro do Trabalho difere da do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prevê números menos robustos para o mercado em 2011 em função da expectativa de desaceleração econômica.(Agência Estado)

 

Fonte: O Popular