Desempenho da economia goiana continua bem melhor que a média do País, mas crise ameaça

Nem mesmo a divulgação dos índices positivos de crescimento da economia de Goiás na primeira metade do ano afasta as previsões de um cenário cada vez mais apertado até o final de 2014. O Estado fechou o primeiro semestre com um crescimento de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), e continua com desempenho bem melhor que a média nacional (0,5%). Mas, apesar do agronegócio que impõe certa blindagem aos efeitos da recessão, deve sofrer mais significativamente a piora da atividade econômica esperada para os próximos meses no País.

Os dados do PIB divulgados ontem pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, que é ligado à Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), mostram que a maior responsável pelo crescimento de janeiro a junho em Goiás é a prestação de serviços (2,7%) nas áreas de alimentação e hospedagem, serviços para empresas e transporte.

O setor industrial também contribuiu (2,1%), alavancado pela construção civil, em obras de infraestrutura, pavimentação e restauração de rodovias, além de saneamento. Já a agropecuária teve recuo (-0,3%), reflexo da estiagem prolongada no início do ano, que afetou o cultivo de soja e, consequentemente, toda a forte cadeia produtiva do principal produto agrícola goiano.

“O que é permite que Goiás se ‘descole’ dos índices nacionais é que o Estado produz produtos de primeira necessidade – alimentos e combustível (etanol). Mesmo num cenário de crise e retração, as pessoas não têm como parar de adquiri-los”, afirma a chefe de Gabinete de Gestão do IMB, Lillian Prado.

EFEITOS

O problema é que, diante da estagnação já estabelecida no País e de um processo de inflação forte, o mercado interno é diretamente atingido, analisa o presidente da Associação dos Economistas de Goiás (Asecon), Edilson Aguiais. “Temos uma pauta econômica muito focada no agronegócio e o nosso mercado é basicamente interno. Se a economia brasileira desacelera fortemente, mesmo com os níveis goianos maiores que a média nacional, a crise também vai chegar aqui”, pondera. Para Aguiais, o período de eleições e de mudança no quadro político da corrida à presidência aumentam ainda mais a instabilidade no País neste segundo semestre. Com isso, o empresário deixa de fazer investimentos e até contratações, o que interfere (para pior) no nível de geração de emprego.

Para os próximos anos, outro agravante para Goiás pode ser a mudança no quadro de consumidores externos dos produtos agrícolas nacionais, afirma o economista Adriano Paranaíba. Ele lembra que, com a retomada do crescimento da economia norte-americana, que também é influenciada pelo agronegócio, os Estados Unidos reassumem a competição no fornecimento de alimentos para o mundo e voltam a concorrer fortemente com o Brasil.

Fonte: O popular