Goiás passou de décimo para o nono lugar no Ranking de Gestão e Competitividade dos Estados Brasileiros, de acordo com levantamento elaborado pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP). O Espírito Santo divide a nona colocação com Goiás.

O topo do ranking segue com São Paulo que, segundo os pesquisadores, dá sinais de esgotamento da atratividade, devido ao baixo crescimento, aumento da burocracia e redução dos gastos privados com pesquisa. O segundo posto continua, pelo terceiro ano seguido, com o Rio de Janeiro.

A reviravolta ocorreu no terceiro lugar, ocupado nas duas pesquisas anteriores por Minas Gerais – o Estado caiu três posições, e ocupa agora o sexto lugar. A mudança decorre mais da ascensão econômica de Paraná e Santa Catarina, que avançaram para a segunda e quinta colocação, respectivamente, do que da piora dos indicadores mineiros. O Rio Grande do Sul continuou estável no quarto lugar, mas teve melhora na economia e renda em relação ao ano anterior.

METODOLOGIA

O ranking avalia a infraestrutura e a burocracia, dando notas de 1 a cem em oito quesitos: ambiente político, ambiente econômico, regime de impostos e regulação, políticas para o investimento estrangeiro, recursos humanos, infraestrutura, inovação e sustentabilidade. O período pesquisado foi de abril de 2013 a abril deste ano.

Com 47,5 pontos, Goiás cresceu acima da média nacional, de 43 pontos. Pontuação que, de acordo com o superintendente do Instituto Mauro Borges (IMB), Aurélio Troncoso, deve avançar nos próximos rankings, em especial no quesito políticas para o investimento estrangeiro e cita a Plataforma Logística Multimodal de Anápolis, um centro de serviços de logística integrada que quando concluída proporcionará oportunidades ímpares ao Estado. “Goiás possui uma potencialidade muito grande e já começa a se despontar nos ambientes político e econômico.”

Segundo Aurélio, o Estado responde hoje por 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e pode avançar muito com o apoio do setor industrial. Ele reconhece, porém, que gargalos relacionados à infraestrutura, a exemplo da falta de investimento no setor energético, precisam ser superados.

PONTUAÇÃO

São Paulo, que lidera a tabela com 77,2 pontos, e é o único Estado considerado “muito bom”. Rio de Janeiro e Paraná têm, respectivamente, 72,3 e 69,3 pontos. Os dois Estados, mais Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais são considerados “bons”.

A maioria dos Estados aparece como “moderados”: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Amazonas, Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pará, Acre, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia e Tocantins. Piauí, Maranhão e Amapá são considerados “ruins”, com o último carregando a lanterna, com 18,6 pontos.

No caso do Paraná, que recebeu nota 63,9, houve um crescimento importante das exportações do agronegócio. O Estado melhorou em renda per capita, gastos privados com pesquisa e incentivos fiscais para a política ambiental.

Já Santa Catarina, com 61,9 pontos, registrou um crescimento importante do tamanho do mercado consumidor, além de alta nos incentivos para estrangeiros e gastos com pesquisa.

Com nota 60,2, Minas perdeu espaço devido a estagnação da indústria e ao aumento do índice de criminalidade. Como um todo, o Estado teve crescimento econômico abaixo de 2% em 2013/2014 (mesmo índice de São Paulo e dentro da média nacional).

Minas apresenta homicídios entre 20 e 24,99 mortes por 100 mil habitantes, perdendo para Maranhão, Acre, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Piauí.

O ranking abrangeu o período das manifestações de junho de 2013. No entanto, os pesquisadores não viram mudança nas notas de infraestrutura, mobilidade urbana e corrupção, bandeiras do movimento. “Esperamos um impacto positivo, que talvez apareça no ranking de 2015”, disse Luana Tavares, do CLP.

Fonte: O Popular