Sistema de Acompanhamento de Salários do Dieese aponta que 33,3% dos reajustes estiveram entre 2,01% e 3,0% acima da inflação

Pelo segundo ano consecutivo, todas as 21 categorias em Goiás – divididas entre setores da indústria, comércio e serviços – registradas no Sistema de Acompanhamento de Salários do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (SAS-Dieese) tiveram reajustes salariais reais em 2012.

De acordo com o Dieese, 100% dos reajustes averiguados no ano passado ficaram acima da inflação aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (INPC-IBGE). Supervisora técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito explica que cada setor teve um aumento diferenciado, por causa da data-base. “Quem recebeu aumento em janeiro de 2012 teve um reajuste diferenciado de quem teve alta salarial em maio, por exemplo, levando em conta o INPC daquele período”, destaca.

Leila ainda ressalta que a política de reajuste do salário mínimo do governo federal tem influenciado nas negociações, já que os aumentos nos últimos anos têm sido bem acima da inflação. “Além disso, o mercado de trabalho continuou aquecido em 2012, embora a economia tenha crescido menos de 1% no ano. Somado isso, as categorias de trabalhadores em Goiás são mais organizadas e, por isso, conseguiram fechar acordos coletivos melhores para cada categoria”, informa a supervisora.

Segundo a pesquisa do Dieese, 33,3% dos reajustes estiveram entre 2,01% e 3,0% acima da inflação e outros 33,3% ficaram entre 1,01% e 2,0% superior ao INPC-IBGE. O destaque, pelo segundo ano seguido, ficou para a indústria com maior percentual de reajustes (47,6%), com ênfase para a construção e mobiliário e alimentação – ambos com alta de 14,3%. Na sequência, aparece o comércio, com reajuste de 28,5% e destaque para o setor varejista e atacadista, que registrou aumento médio de 19%. Vendedora da loja Consertos, Gravações e Presentes, que funciona no Flamboyant Shopping Center, Danielle Garbiat Procedino, de 37 anos, teve um aumento salarial bem acima da inflação. “Eu ganhava R$ 780 e passei a receber R$ 880 na carteira de trabalho, fora as comissões”, informou ela. Fazendo as contas, Danielle, que trabalha na loja há quase um ano e no comércio há cerca de uma década, recebeu um reajuste de 12,82%. “Nos últimos anos, tenho observado uma melhoria no aumento do salário no comércio”, destacou ela.

Dados nacionais

Em relação ao Brasil, a pesquisa do Dieese mostra que 94,6% dos reajustes salariais de 704 unidades de negociação em 2012 ficaram acima da inflação medida INPC-IBGE. O resultado foi o mais expressivo em termos de unidades de negociação que conquistaram reajustes acima da inflação desde 1996. Apontou ainda que apenas 1,3% das negociações tiveram reajustes salariais abaixo da inflação, cujo índice varia de acordo com o período da data-base das negociações salariais. Essas categorias tiveram reajustes entre 0,01% e 2% abaixo da inflação.

O levantamento revelou também que 4,1% das categorias conseguiram reajustes iguais ao INPC-IBGE e que a faixa com o maior número de aumentos acima da inflação (34,2%) foi no intervalo de 1,01% a 2,00% de ganho real. Os dados do Dieese apontam ainda que, na média de todas as categorias, o valor médio do aumento real dos salários sobre a inflação foi de 1,96% nas negociações de 2012.

Fonte: O Hoje (GO)