Em Goiás, que ocupa o primeiro lugar, 32,6% das pessoas ocupadas trabalham mais de 45 horas por semana, seguido por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, conforme o IBGE

Enquanto os brasileiros passam cada vez menos tempo no trabalho, os goianos são os que passam mais horas por dia trabalhando, de acordo com os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ou seja, em Goiás, 32,6% das pessoas ocupadas trabalham mais de 45 horas por semana, ante 28,4% em São Paulo. Em segundo e terceiro lugar, estão Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente.

A explicação, segundo especialistas, é a alta concentração de pessoas trabalhando em zonas rurais e a falta de sindicatos fortes e estruturados, já que a formalização do mercado de trabalho nesses locais é mais recente.

As regiões Norte e Nordeste, por sua vez, são onde proporcionalmente há mais gente trabalhando menos de 14 horas por semana. O líder é o Maranhão, com 11,8% dos trabalhadores, seguido por Acre, Pará, Amazonas, Bahia e Pernambuco. Os motivos são o trabalho temporário em atividades extrativistas ou na agricultura de subsistência.

Outra prova da conexão entre formalização do mercado e jornada semanal média são os Estados que mais têm trabalhadores que passam de 40 a 44 horas semanais no serviço – a conexão entre os dois rankings é nítida. São Paulo e Santa Catarina, líderes na proporção de carteira assinada, ficam em 4º e 1º lugar na lista de Estados com mais gente trabalhando essa quantidade de horas por semana.

País na contramão

Já o brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase que pela metade em uma década. Em 2000, 44% dos trabalhadores do País passavam mais tempo que isso no serviço, número que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em números absolutos, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.

O número impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milhões de brasileiros – o equivalente à toda população da Grande São Paulo – ingressaram no mercado de trabalho nos últimos dez anos, segundo o IBGE. Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana – o salto foi de 3% para 8,3% do total da população economicamente ativa, um ganho de 5 milhões de trabalhadores. A maior parcela da população tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.

A redução da jornada de trabalho nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento real no salário do brasileiro – hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 – e também à formalização do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com carteira assinada pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 – na contramão, os funcionários sem carteira de trabalho caíram de 24% para 18%. “A formalização do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador vão evitar de pagar hora extra, portanto, vão reduzir a jornada para o que é oficial”, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.

No Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada já são maioria da população. Mas alguns Estados ainda mantém um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo é o Maranhão, onde apenas 20,8% são registrados. “Ainda há um grande contingente de trabalhadores sem regulação e que pode estar trabalhando jornadas insuportáveis”, lembra Nogueira.

Fonte: O Popular