Especialistas afirmam que o cenário econômico é incerto

Os efeitos das oscilações econômicas no País parecem chegar primeiro em Goiás, devido a proximidade com Brasília, por estar no centro do Brasil e por ter como carro-chefe da economia a produção primária de commodities, como soja, milho e algodão e sofrem com o efeito das alterações do real ante ao dólar. Além disso, questões locais como o clima afetam o cenário estadual, a ponto de reajustar o preços dos alimentos em mais de 100%, como foi o caso do tomate, no mês de abril. Segundo os técnicos do Instituto Mauro Borges/Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás, a deflação que houve no mês de junho, pode se repetir em julho se os alimentos, transporte e tarifas públicas continuarem a puxar os preços para baixo.

Porém , em nível nacional a presidente Dilma Roussef afirma que o País vai fechar o ano cumprindo o centro da meta de inflação de 4,5%, o que não é um índice baixo.

O economista da Federação das Indústrias de Goiás, Claudio Henrique de Oliveira, essa é uma realidade difícil de concretizar e há uma preocupação em todo setor industrial goiano em função do cenário econômico. Segundo ele, o governo federal arrecada bem, mas gere mal os recursos, não há investimentos em infraestrutura , nem incentivo para a produção. “Temos que desonerar a produção, tornar o produto brasileiro mais atrativo, fazer uma reforma tributária que dê competitividade aos Estados”, explica.

Para o economista e professor da PUC Goiás, Paulo Borges Campos Júnior, além do problema da carga tributária elevada, o que mais causa revolta é a ausência de contrapartidas, para quem paga os tributos. Ele também acredita que o centro da meta de inflação de 4,5%, não deve ser atingido.

Se os números não estão bons dentro do País, as saídas também não estão boas. Segundo projeção a Associação de Comércio Exterior do Brasil, as exportações brasileiras tendem a cair 5% e as importações devem aumentar 4,2%. Claudio Henrique explica é preciso desonerar a produção brasileira para que o produto nacional se torne atraente e diferenciado. “Quando o real está barato nossos produtos se tornaram comuns, temos que mudar esse conceito”, alerta.

Agropecuária

Fortemente influenciado pelas oscilações do dólar, das altas e baixas dos preços no mercado futuro, devido aos preços das commodities, o setor produtivo goiano vive momentos de apreensão. O analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, explica que a falta de uniformidade no valor da moeda norte americana causa enormes prejuízos para quem compra e vende produtos agrícolas. Insumos como sementes, fertilizantes, defensivos, têm os preços em sua grande maioria, atrelados ao dólar.

A venda da safra de verão goiana no mercado futuro ainda continuam na faixa dos 20%, ou pouco mais. Trata-se da metade do que foi comercializado neste mesmo período do ano passado. O preço do milho está em queda e os da soja tiveram leves reduções.

Inadimplência

Pode ser medo do desemprego, ou talvez , a explicação seja a redução da oferta de crédito. De acordo com pesquisa da Serasa Experian, a inadimplência no País subiu apenas 5,6% no primeiro semestre de 2013. Foi o melhor índice para o período desde 2011. O presidente da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio) José Evaristo dos Santos avalia que esse resultado é reflexo da desacelaração do consumo, do aumento dos juros por parte do governo e alta do desemprego. “Se as vendas aumentarem no mesmo patamar da inflação prevista, que é de 4,5%, já será um ganho”, justifica.

 

Fonte: O Hoje (GO)