Goiânia foi a capital do Brasil com menor nível de endividamento das famílias em 2013: 46%, o que representou cerca de 189.212 famílias com dívidas.

O desempenho da capital ficou bem abaixo da média brasileira, que foi de 63% de endividamento. É o que mostra a pesquisa Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

DESEMPENHO

O levantamento foi feito com base em informações do IBGE e da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Goiás teve um dos melhores desempenhos da Região Centro-Oeste. Brasília foi a cidade com maior número de famílias endividadas: 660.300 ou 84%.

Em 2013, as famílias da capital federal tinham 34% da renda familiar comprometida com dívidas. Em Goiânia, esse percentual era de 31% da renda.

VALOR MÉDIO

Brasília também foi a capital da região com maior valor médio de dívida por família: R$ 2.374,00, seguida por Goiânia, com R$ 2.137,00. Porém, quando se fala em dívidas atrasadas, Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT) lideram o ranking da região, com 32% e 31% das famílias nessa situação em 2013. Porém, a pesquisa mostrou que esse índice de atrasos vem crescendo desde 2011 em muitas capitais brasileiras.

CONCENTRAÇÃO

Em Goiânia, o índice de famílias com dívidas em atraso saltou de 15% em 2012 para 21% em 2013. Segundo a Fecomércio-SP, essa maior concentração de atrasos com as pessoas físicas faz com que o volume das dívidas atrasadas das famílias atingisse patamares muito expressivos, média de R$102,3 bilhões em 2013.

O total mensal estimado da dívida das famílias nas capitais foi de R$ 16,1 bilhões, valor 8% acima do apurado no levantamento de 2012, em termos reais, que alcançou R$ 14,9 bilhões. Considerando uma taxa média de 30,3% de juros para pessoas físicas, pode-se afirmar que cerca de R$ 4,9 bilhões mensais dessa dívida foram usadas apenas para cobrir o custo dos empréstimos.

PREOCUPAÇÃO

Mesmo estando entre as capitais com menor índice de endividamento, o crescimento das dívidas em atraso em Goiânia preocupa. Para o economista Marcos Arriel, essas famílias caíram na tentação do crédito fácil nos últimos anos, o que se torna um problema sério com os altos juros atuais. Porém, ele acredita que a maior causa do endividamento e da inadimplência ainda seja a falta de controle do orçamento doméstico.

De acordo com o economista, o atraso no pagamento de dívidas seria o primeiro reflexo de uma situação de desemprego e decréscimo da renda, o que ainda não está acontecendo no País, situação que pode até mudar com a retração da economia, conforme os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sobe o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

DESCONTROLE

“Segundo o Dieese, os salários foram até reajustados acima da inflação”, destaca Marcos. Por isso, ele ressalta que a maior causa do problema seja mesmo o descontrole financeiro, causado pelo acúmulo de dívidas.

Segundo a Fecomércio, essas famílias ainda contam com respaldo da renda e do emprego em níveis positivos que lhes dê a confiança para expandir o comprometimento do orçamento com dívidas para consumo ou para quitar dividas mais caras.

Esse sistema, no entanto, se torna vulnerável diante de aumentos imprevistos da inflação, reduzindo o poder de consumo e elevando o valor das dívidas em atraso.

Fonte: O Popular