Pesquisa da Fecomércio-SP, mostra que 182.260 famílias estavam endividadas no ano passado

À primeira vista, os números de endividamento em Goiânia comparados com o resto do País apontam uma posição positiva. A capital teve em 2012 o segundo menor porcentual (43%) de famílias comprometidas com dívidas, entre as cidades pesquisadas pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP). Fica acima apenas de Salvador (40%), segundo Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, divulgada ontem. Mas o baixo índice de endividados por aqui não se explica apenas por uma cautela do consumidor goiano em assumir gastos à prestação, mas, sim, na competição do mercado financeiro local.

A capital goiana concorre diretamente com Brasília na atração de crédito e, por isso, acaba tendo, comparativamente, menos dinheiro disponível para empréstimos e financiamentos, afirma o economista Fábio Pina, assessor-técnico da Fecomercio-SP. O Distrito Federal tem 70% das famílias comprometidas com algum tipo de dívida e é a terceira unidade da Federação em atração de crédito imobiliário, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Juntos, os três detêm 70% do dinheiro destinado à habitação no País, informa o economista.

“A decisão final em relação ao crédito é definida muito mais por quem concede (os bancos) do que por quem toma emprestado (o consumidor). E como Goiânia e Brasília estão muito próximas, os bancos preferem concentrar mais crédito na capita federal, porque lá a renda é maior ou até mesmo por questão de maior influência.”

Pela pesquisa – que se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) –, o total de famílias em Goiânia com contas a pagar em 2012 foi de 182.260 (43%), dois pontos porcentuais a menos do que em 2011. O valor médio das dívidas no ano passado foi de R$ 1.783,00, 4,02% a mais do que no ano anterior (R$ 1.714,00). Mesmo assim, as contas em atraso diminuíram de 18% para 15%.

INFLAÇÃO

Neste primeiro semestre de 2013, os índices de endividamento em Goiânia, assim como no resto do País, demonstram uma tendência de alta. Conforme dados da Fecomércio de Goiás, nos seis primeiros meses deste ano, apenas no mês de março o porcentual de famílias com contas a pagar foi menor do que o mesmo mês de 2012. Em maio e junho, chegou a quase 49%.

Para Fábio Pina, este avanço está ligado à alta inflação registrada na primeira metade do ano. “A inflação acelerou e corroeu o poder de compra da população. Nessa situação, há duas possibilidades: ou o consumidor para de comprar e reduz os gastos ou se endivida um pouco mais para manter o mesmo padrão de antes. E parece que é isso que tem ocorrido”, ressalta.

 

Fonte: O Popular