Pesquisa do IMB/Segplan mostra grande influência de alimentos, transporte e serviços no índice

O grupo alimentício composto por hortaliças, raízes, folhagens e o feijão foram os que mais contribuíram para derrubar a inflação de julho em Goiânia. O índice calculado pelo Instituto Mauro Borges/ Segplan ficou em -0,58%, o menor dos últimos dez anos no mês de julho. Também colaboraram com a queda da inflação no último mês, a redução da tarifa do transporte coletivo e da tarifa de água e esgoto.

A justificativa para tamanha redução no preço do alimentos é o período de safra de produtos de alto consumo, como folhagens, frutas comuns como banana e laranjas. Nos meses mais secos do ano, a produção aumenta, assim como a oferta de produtos, somente no grupo de hortaliças, a queda foi de 24%. No caso de grãos, como o feijão cuja principal safra goiana é irrigada, a queda no preço foi de -5,88%. Emblema da alta dos preços, o tomate teve queda de 48,87% no quilo e agora é o símbolo de preço baixo.

A dona de casa aposentada Maria Divina Rodrigues Alves disse que realmente o preço das hortaliças baixou em julho. “Agora aproveito e levo mais coisas para casa. Se antes levava duas cabeças de cebola, agora levo cinco”, explica. Experiente, ela diz que nessa época as coisas costumam baixar mesmo, na atual situação isso é bom porque tudo está “muito caro”, ressalta a dona de casa.

Se por um lado a falta de chuva ajuda a baratear, do outro atrapalha. É entressafra no setor de lácteo e derivados. O leite foi considerado o vilão da inflação e subiu 5,14%. A carne bovina teve alta de 1,82% e a suína 2,66%, também culpa da entressafra.

A cesta básica ficou mais barata em julho e alcançou o mesmo valor de janeiro de 2013, custando R$ 242,49. O maior valor atingido pelo conjunto de produtos foi em maio, R$ 256,09.

Tarifas públicas

Se em junho, os 17 dias que a tarifa de transporte coletivo foi reajustada já fizeram a diferença na inflação, em julho, totalizando os 30 dias, com o retorno para os R$ 2,70, o peso foi significativo. Em um mês a redução da tarifa significou 4,66% no gasto com transporte público, item que pressionou o índice para baixo.

A redução de 2,05% na tarifa de água e esgoto que começou a vigorar desde o dia 1º de julho, também ajudou a diminuir o índice.

Agosto

Segundo a chefe do gabinete de gestão do Instituto Mauro Borges, Lílian Prado, a expectativa é de inflação baixa para agosto, uma vez que os preços dos alimentos devem permanecer estáveis, com exceções dos produtos que estão na entressafra. Não é previsto nenhum aumento de tarifa pública no mês.

Na avaliação de Prado, com base nos resultados dos sete meses IPC de Goiânia, a perspectiva é de que a inflação em 2013 seja menor que a de 2012, fechada em 9,63%. “Até maio vinha em uma crescente, que acreditávamos que o próximo semestre e o ano seria de alta, mas os resultados foram outros e agora a expectativa é de um índice menor que o do ano passado”, reafirma.

Fonte: O Hoje (GO)