Apenas no primeiro semestre, capital já acumula números altos em casos de doenças e acidentes

Goiânia registrou 1.194 notificações de doenças ou acidentes relacionados ao trabalho até último dia 17. Os dados são do Departamento de Saúde do Trabalhador do Centro de Referência à Saúde do Trabalhador (Cerest). Do total, 627 casos são de acidentes graves ocorridos em ambiente laboral. Outro número importante, de acordo com a unidade, é que 298 notificações são referentes a ocorrências ligadas a materiais biológicos, com maior ocorrência na área da saúde e limpeza urbana com materiais hospitalares. A construção civil e o setor de serviços gerais lideram a lista.

De acordo com a diretora-geral do Cerest, Hebe Macedo, o número é preocupante, uma vez que vários dos casos de acidentes graves de trabalho resultaram em mortes. Conforme foi levantado pelo órgão, o ano de 2012 acumulou 2.347 notificações de acidentes e outros 1.022 casos ligados a materiais biológicos.

Os dados são classificados por acompanhamento da vítima, caso a caso. Quanto aos acidentes com materiais biológicos, grande parte fruto de cortes ou perfurações com instrumentos hospitalares, os pacientes podem ser acompanhados por mais de seis meses pelo risco de contaminação com o vírus HIV. Enquanto isso, os outros passam por avaliações para constatar se as condições de trabalho colaboraram para o acidente.

Hebe esclarece que grande parte dos acidentes poderia ser evitada com a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Para ela, são frequentes os casos de esmagamento, quedas, cortes de membros pela imprudência. “Para reduzir os números, fazemos trabalhos de conscientização de trabalhadores e empregadores, bem como a capacitação de agentes de saúde que irão atuar na identificação das enfermidades.”

Conforme verificado, o terceiro agravo mais importante é a intoxicação exógena, provocada por inalação de produtos químicos, como agrotóxicos. Acontecidos majoritariamente em regiões rurais, foram notados 224 casos, cerca de 19% do total de agravos. “Em quarto lugar, a perda auditiva induzida pelo ruído e, em quinto, transtornos mentais relacionados ao trabalho, muito comuns em professores e atendentes de call center”, observa a diretora.

Casos

O empresário Rodrigo Nascimento passou por dificuldades com um funcionário acidentado, em setembro de 2012. Depois de um acidente com eletricidade, o rapaz teve o antebraço amputado e sérias queimaduras em todo o corpo.

Nascimento diz que o trabalhador lançou um rolo de arame galvanizado pela janela do sexto andar do prédio em que estava para desenrolar o novelo. Todavia, o item tocou a rede de alta tensão que alimentava as obras e ele foi eletrocutado. Na semana passada, um pedreiro perdeu um braço em decorrência de um acidente de trabalho, em uma obra localizada no Setor Sul (Goiânia).

Urgência

Ao se acidentar durante o trabalho, a pessoa é encaminhada, geralmente, ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde é feita a ficha de notificação e encaminhamento do caso ao Cerest, que acompanha os registros de morte e de acidentes graves. Conforme explica Hebe, em caso de acidente com material biológico, o acidentado deve procurar preferencialmente, em Goiânia, quatro unidades para dar início ao tratamento.

 

Fonte: O Hoje (GO)